segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

A Situação do Minimalismo e da Corrida Descalça em 2016

Comecei a me interessar por corrida descalça e minimalismo em 2011.Lembro de ter lido o livro Nascido para Correr, de Christopher McDougall. Entusiasmado pela leitura, na entrega dos kits da Maratona de Curitiba 2011 eu comprei um calçado minimalista: o Vibram Five Finger KSO. Sim, naquela época você conseguia encontrar VFFs em lojas! No caso, na Track & Field do ParkShopping Barigui. A Procorrer de Curitiba também tinha modelos de VFFs.

Hoje vejo que o VFF KSO preto que comprei na época era muito apertado. Rasgou-se na região dos dedos. E fica aqui um alerta importante: VFFs são perigosos. Eles te permitem correr com forma inadequada e sem proteção. Para começar, é mais seguro descalço. Se tem uma coisa que não mudou de 2011 para cá é que as melhores instruções sobre como começar são estas aqui, do Barefoot Ken Bob Saxton traduzidas (acho) pelo Leonardo Liporati. O Verão talvez seja a melhor estação para começar. Ao menos aqui em Curitiba. Mas é preciso cuidado com o asfalto que pode ficar quente demais em certos horários.

Até onde sei, temos dois grupos online onde simpatizantes do minimalismo e da corrida descalça no Brasil se encontram: o Corrida Descalça no Google Plus e o Corrida Natural no Facebook.

O Corra Descalço (164 membros hoje) tem a vantagem de ter o Leonardo Liporati, nosso grande pioneiro. Mas o problema é: quem usa Google Plus? De todo modo, discussões muito boas acontecem por lá.

O Corrida Natural (136 membros) tem a desvantagem de ser no Facebook. Facebook é uma rede que devemos evitar usar, por várias razões. Mas como muitos usam, lá são compartilhadas experiências de vários corredores brasileiros que treinam descalços e/ou usando calçados minimalistas.

E é claro que devem existir pessoas, amantes do minimalismo e da corrida descalça, fora destes grupos e que postam suas atividades no Instagram, no Facebook, no Twitter... Ou não postam em nenhum lugar mas aparecem descalços nos parques, nas ruas, nas provas.

Hoje em dia, comparado com 2011, há um incentivo extra para o minimalismo: pessoas do mundo paleo/primal divulgam o minimalismo. Um bom exemplo é o Mark Sisson, do site Mark's Daily Apple, fã dos Vibram Five Fingers. E nem é para correr apenas, mas sim para fazer exercícios em geral, mesmo caminhadas ou exercícios funcionais estilo Crossfit, MovNat, Parkour.

Nosso grande problema aqui no Brasil (e não é muito diferente em outros países) é a dificuldade para encontrar calçados minimalistas.

O que é um calçado minimalista? Alguns pontos em comum:

  • peso leve
  • bastante espaço para os dedos
  • drop zero
  • solado fino (<10 li="" mm="">
  • sem suporte de arco
  • amortecimento próximo de zero 


É óbvio que a maioria das pessoas não está pronta para este tipo de calçado. Mesmo andando com eles poderão se machucar ao pisar em pedras. Pode ser perigoso para alguns.

Um exemplo de calçado que satisfaz a maioria dos requisitos acima são os VFFs (ou ao menos a maioria dos modelos de VFF, pois existem vários). VFFs foram a vedete do minimalismo em calçados alguns anos atrás. Hoje é muito difícil encontrá-los mesmo em lojas nos EUA. Tanto lá como cá dá para comprar online. Mas aqui tem o problema adicional do frete, do preço em dólar e dos impostos.

No boom do minimalismo algumas marcas entraram e ofereceram bons modelos: New Balance, Saucony, Skechers, Inov-8. Muitas destas marcas saíram do mercado de minimalistas. Outras fingiram entrar, como a Nike com seu falso minimalista Nike Free, que até hoje existe mas é bem pouco útil.

Algumas marcas permanecem firmes: Vivobarefoot, Luna Sandals, Xero Shoes. A Xero acabou de lançar seu primeiro calçado fechado. Antes só produzia sandálias huarache. São empresas pequenas que cobram caro. Mas é melhor que cobrem caro e continuem a existir do que cobrar barato e sumir, deixando-nos sem opção. Outras de que me lembro: Lems, Soft Star. Na loja online Two Rivers Treads, do Mark Cucuzzella, você encontra várias opções.

Bem que o Brasil poderia ter uma empresa dedicada a este tipo de calçado. Mas as únicas iniciativas de produzir calçados minimalistas não são empresariais:


E são sandálias e não calçados fechados, o que limita seu uso.

É possível encontrar calçados menos proejudiciais em meio às coleções comuns? Às vezes, mas é muito raro. Dia desses comprei um sapatênis em que o amortecimento e o drop estavam na palmilha. Troquei a palmilha e fiquei com algo bom e apresentável para usar no dia-a-dia.

E a Ciência? Alguns esperavam que ela iria mostrar que correr descalço diminui lesões e resolve todos os problemas dos corredores. Não é bem assim. Uma linha de pesquisa interessante é a que estuda como deve ser feita a adaptação. Mas ao menos não surgiu nenhum artigo "demonstrando" que corrida descalça faz mal. Portanto, no mínimo é tão prejudicial quanto correr calçado. E por que não tentar corrida descalça, desde que em ambiente seguro?

Alguns reclamam da estética. Mas estética é algo aprendido e que pode ser modificado. E depende de contexto, claro. Não dá (ainda) para ir a uma reunião formal descalço. Mas correr no parque? Qual o problema? Os olhares e comentários dos outros? Por que se importar com os outros?


domingo, 27 de novembro de 2016

Competição e Confusão

  Estou lendo o livro No Contest, de Alfie Kohn (até onde sei nunca traduzido para o portugês - mas outro livro seu, Punidos pelas Recompensas, já foi traduzido). Uma possível tradução do título seria algo como "Sem Concurso: o Caso contra a Competição".
No Contest
Aqui uma tradução do resumo do livro segundo o Goodreads: "Sem concurso é a crítica definitiva da competição. Ao contrário da sabedoria aceita pela maioria, a competição não é básica para a natureza humana; Ela envenena nossos relacionamentos e nos impede de fazer o nosso melhor. Nesta nova edição, Alfie Kohn argumenta que a corrida para ganhar transforma todos nós em perdedores."

Não lembro quando exatemente comecei a me interessar pelo tema, mas lembro que Christopher McDougall fala contra a competição em Natural Born Heroes, o pessoal do Parkour é contra competições, o pessoal do MovNat foca em cooperação.

O livro é bem completo. Qualquer argumento que você lembrar do tipo "Ah, mas competição melhora X" ou "competição é boa para Y", o livro aborda e deixa claro (na minha visão) que não é verdade. Por exemplo, o livro deixa claro que participar de competições não melhora o desempenho de um grupo.

O livro diz também que "competição consigo mesmo" não é competição. Portanto, se você participa de corridas em busca de seu recorde pessoal, sem problema! Mas se participa buscando troféu, de categoria, aí o livro pode ser bem útil para você. Segundo o livro, pesquisas mostraram que gente com pouca autoestima é quem se dá melhor em competições.

Uma coisa que observei também é uma certa associação entre competição e confusão: doping, brigas entre torcidas, etc.


domingo, 20 de novembro de 2016

Exemplo de Movimento Primal/Paleo - 20/11/2016

Saí caminhando. Caminhei por um a dois minutos e depois comecei a correr leve. A corrida foi em ritmo Maffetone ou ainda mais leve, mas sem medir a Frequência Cardíaca, usando apenas a respiração como indicador. Isto é, se dava para correr tranquilo com a boca fechada, estava num ritmo bom.

Aos 11 minutos cheguei à Academia ao Ar Livre do Orleans. Lá me movi nos aparelhos disponíveis, mas não da forma que eles sugerem, claro. Sempre uso os aparelhos para fazer movimentos inspirados em Parkour e Calistenia. Ao lado da Academia tem um Jardinete com uma árvore que também gosto de escalar. É uma árvore baixa e segura. Não é meu objetivo me arriscar a cair.

Depois de 10 minutos entre a Academia e a árvore, comecei a voltar. Primeiro caminhando. Depois correndo levemente. E por fim caminhando mais um pouco. No trecho final de caminhada achei um local onde gosto de treinar cat walk (do Parkour). Mas hoje não estava com vontade a apenas me equilibrei em pé lá. Caminhei mais um pouco e foi o fim de treino, com 35 minutos de duração.





domingo, 9 de outubro de 2016

Lojas de artigos esportivos

Hoje em dia entro em lojas de artigos desportivos (hoje foi na Centauro) e acho que quase nada do que se vende lá é usável. Os calçados são ruins. Não preciso de camisetas tecnológicas (de algodão acho ainda melhor).

Luvas especiais? Para quê?

Patins? Tava em "promoção" hoje por 500 reais.Muita complexidade para pouco movimento funcional.

Queria mesmo era umas barras dessas em casa:

Praça 29 de Março, Curitiba


Mas acho que se tivesse em casa não iria valorizar tanto.

domingo, 18 de setembro de 2016

Subindo em (Escalando) Árvores


Ontem escalei uma árvore e um menino perguntou: o que você está fazendo? (ele estava se juntando a um colega para jogar futebol). Eu respondi que estava subindo na árvore. Hoje em dia estamos tão longe da natureza que subir numa árvore é considerado algo estranho... :)



Uma coisa que estava pensando é: não precisamos subir bem alto numa árvore. Basta um pouco. Eu geralmente chego a uns 2m de altura. Quanto mais alto, maior o risco de queda e pior a queda.

O livro abaixo é um guia para escalar árvores. Li a amostra da Amazon apenas.


The Tree Climber's Guide

Buy The Tree Climber's Guide by Jack Cooke (ISBN: 9780008153915) from Amazon's Book Store. Free UK delivery on eligible orders.

Receba as postagens deste blog por email