segunda-feira, 10 de abril de 2017

Outono de 2017














quarta-feira, 29 de março de 2017

Relato do Jeferson

Já falei sobre o Jeferson algumas vezes aqui. Ele me enviou o relato abaixo:

Caro amigo, li, mesmo que atrasado seu excelente post sobre, A Situação do Minimalismo e da Corrida Descalça, e por este motivo resolvi escrever sobre minhas últimas experiências.

Durante o ano de 2016 fiz 80% dos meus treinos descalço, com pouca quilometragem e baixa intensidade, e poucas provas. A maior experiência foi quando em novembro recebi um e-mail da Maratona de Curitiba avisando que era a última semana e, por impulso, me inscrevi mesmo sem ter “treinado”. Decidi levantar no domingo seguinte e correr a maratona. Por algum motivo achei que correr calçado iria diminuir a dificuldade da “peleja”. Lá fui, com uma sapatilha Hattori da Saucony. Já no inicio percebi que havia algo me incomodando, estava inquieto, eis que num breve percurso avistei minha esposa e filho, e “pinchei” fora a sapatilha. Lá fui feliz e satisfeito correr a maratona com os pés no chão e completar com muita alegria.

No início de 2017 resolvi comprar uma huaruache Luna Sandals, para os treinos noturnos. Porém, quando iniciei os treinos com a sandália, simplesmente não gostei, não achei que superava as que eu tinha feito anteriormente, e abandonei e voltei com os pés no chão. Até que um dia comprei um chinelo, no estilo havaiana com tiras atrás com o cômico nome de “Bad Boy”, paguei a bagatela de R$ 30, e hoje todos os treinos noturnos são feito com este equipamento “Hitech”.

Descobri também que meu filho de 7 anos pode me ensinar muito mais do que qualquer, revista, site ou profissional da área, sobre fisiologia do esporte, tenho subido em árvore, ficado de cócoras, pulado, saltado, e até mesmo uma simples brincadeira de marcha soldado, é muito mais coerente do que treinos funcionais.

As corridas deste ano iniciei com a Meia Maratona de São José dos Pinhais, logo após os 25Km de Curitiba, e a 1ª Etapa do Circuito de Curitiba, todas descalças, sem me preocupar com tempo, alimentação, treino, alongamento, roupa ou qualquer outra coisa que me tire a alegria de correr.

1ª Etapa do Circuito de Curitiba 2017

25k de Curitiba 2017

25k de Curitiba 2017
 


Maratona de Curitiba 2016

Meia de São José dos Pinhais 2017

domingo, 22 de janeiro de 2017

Corrida SB-BT-SF

Hoje fiz minha corrida particular.

Só eu nas ruas de Curitiba.

Perdi a chance de me inscrever na Corrida da Ponte então tive que correr em local mais próximo.

Algumas características:


  • Distância: aproximadamente 5 quilômetros. 5,1Km pelo relógio GPS. Passando por três bairros.  Sem grandes subidas ou descidas.
  • Sem aquecimento inicial. Aquecimento nos primeiros minutos.
  • Sem sprint final. 
  • Boca fechada ou, ao menos, inspiração só pelo nariz
  • Boa parte do tempo em calçadas. Saindo só quando necessário ou extremamente seguro.
  • Parando em cruzamentos.
  • Em jejum parcial (apenas café com nata e adoçante)


Tempo: 35:46. Ritmo: 7:01/Km.

Elevação: 67m (Strava).

Elevação no Garmin Connect:

  • Ganho de elevação: 54 m 
  • Perda de elevação: 48 m
  • Elevação mínima: 964 m
  • Elevação máxima: 990 m

Frequência cardíaca: média 138 bpm, máxima 180 bpm.

Cadência média: 163 ppm. Cadência máxima: 183 ppm. Tamanho médio do passo: 0,88 m.

Calçado: Inov-8 Road X-Treme 138. Meias Injinji.


Percurso

Gráfico do Strava


Gráfico do Garmin

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

A Situação do Minimalismo e da Corrida Descalça em 2016

Comecei a me interessar por corrida descalça e minimalismo em 2011.Lembro de ter lido o livro Nascido para Correr, de Christopher McDougall. Entusiasmado pela leitura, na entrega dos kits da Maratona de Curitiba 2011 eu comprei um calçado minimalista: o Vibram Five Finger KSO. Sim, naquela época você conseguia encontrar VFFs em lojas! No caso, na Track & Field do ParkShopping Barigui. A Procorrer de Curitiba também tinha modelos de VFFs.

Hoje vejo que o VFF KSO preto que comprei na época era muito apertado. Rasgou-se na região dos dedos. E fica aqui um alerta importante: VFFs são perigosos. Eles te permitem correr com forma inadequada e sem proteção. Para começar, é mais seguro descalço. Se tem uma coisa que não mudou de 2011 para cá é que as melhores instruções sobre como começar são estas aqui, do Barefoot Ken Bob Saxton traduzidas (acho) pelo Leonardo Liporati. O Verão talvez seja a melhor estação para começar. Ao menos aqui em Curitiba. Mas é preciso cuidado com o asfalto que pode ficar quente demais em certos horários.

Até onde sei, temos dois grupos online onde simpatizantes do minimalismo e da corrida descalça no Brasil se encontram: o Corrida Descalça no Google Plus e o Corrida Natural no Facebook.

O Corra Descalço (164 membros hoje) tem a vantagem de ter o Leonardo Liporati, nosso grande pioneiro. Mas o problema é: quem usa Google Plus? De todo modo, discussões muito boas acontecem por lá.

O Corrida Natural (136 membros) tem a desvantagem de ser no Facebook. Facebook é uma rede que devemos evitar usar, por várias razões. Mas como muitos usam, lá são compartilhadas experiências de vários corredores brasileiros que treinam descalços e/ou usando calçados minimalistas.

E é claro que devem existir pessoas, amantes do minimalismo e da corrida descalça, fora destes grupos e que postam suas atividades no Instagram, no Facebook, no Twitter... Ou não postam em nenhum lugar mas aparecem descalços nos parques, nas ruas, nas provas.

Hoje em dia, comparado com 2011, há um incentivo extra para o minimalismo: pessoas do mundo paleo/primal divulgam o minimalismo. Um bom exemplo é o Mark Sisson, do site Mark's Daily Apple, fã dos Vibram Five Fingers. E nem é para correr apenas, mas sim para fazer exercícios em geral, mesmo caminhadas ou exercícios funcionais estilo Crossfit, MovNat, Parkour.

Nosso grande problema aqui no Brasil (e não é muito diferente em outros países) é a dificuldade para encontrar calçados minimalistas.

O que é um calçado minimalista? Alguns pontos em comum:

  • peso leve
  • bastante espaço para os dedos
  • drop zero
  • solado fino (<10 li="" mm="">
  • sem suporte de arco
  • amortecimento próximo de zero 


É óbvio que a maioria das pessoas não está pronta para este tipo de calçado. Mesmo andando com eles poderão se machucar ao pisar em pedras. Pode ser perigoso para alguns.

Um exemplo de calçado que satisfaz a maioria dos requisitos acima são os VFFs (ou ao menos a maioria dos modelos de VFF, pois existem vários). VFFs foram a vedete do minimalismo em calçados alguns anos atrás. Hoje é muito difícil encontrá-los mesmo em lojas nos EUA. Tanto lá como cá dá para comprar online. Mas aqui tem o problema adicional do frete, do preço em dólar e dos impostos.

No boom do minimalismo algumas marcas entraram e ofereceram bons modelos: New Balance, Saucony, Skechers, Inov-8. Muitas destas marcas saíram do mercado de minimalistas. Outras fingiram entrar, como a Nike com seu falso minimalista Nike Free, que até hoje existe mas é bem pouco útil.

Algumas marcas permanecem firmes: Vivobarefoot, Luna Sandals, Xero Shoes. A Xero acabou de lançar seu primeiro calçado fechado. Antes só produzia sandálias huarache. São empresas pequenas que cobram caro. Mas é melhor que cobrem caro e continuem a existir do que cobrar barato e sumir, deixando-nos sem opção. Outras de que me lembro: Lems, Soft Star. Na loja online Two Rivers Treads, do Mark Cucuzzella, você encontra várias opções.

Bem que o Brasil poderia ter uma empresa dedicada a este tipo de calçado. Mas as únicas iniciativas de produzir calçados minimalistas não são empresariais:


E são sandálias e não calçados fechados, o que limita seu uso.

É possível encontrar calçados menos proejudiciais em meio às coleções comuns? Às vezes, mas é muito raro. Dia desses comprei um sapatênis em que o amortecimento e o drop estavam na palmilha. Troquei a palmilha e fiquei com algo bom e apresentável para usar no dia-a-dia.

E a Ciência? Alguns esperavam que ela iria mostrar que correr descalço diminui lesões e resolve todos os problemas dos corredores. Não é bem assim. Uma linha de pesquisa interessante é a que estuda como deve ser feita a adaptação. Mas ao menos não surgiu nenhum artigo "demonstrando" que corrida descalça faz mal. Portanto, no mínimo é tão prejudicial quanto correr calçado. E por que não tentar corrida descalça, desde que em ambiente seguro?

Alguns reclamam da estética. Mas estética é algo aprendido e que pode ser modificado. E depende de contexto, claro. Não dá (ainda) para ir a uma reunião formal descalço. Mas correr no parque? Qual o problema? Os olhares e comentários dos outros? Por que se importar com os outros?


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