terça-feira, 15 de julho de 2008

Segunda Feira de Ciências da DATASUL

Dois projetos da UDESC estão concorrendo na segunda feira de ciências da DATASUL, que vai acontecer na UDESC-Joinville

  • dia2lua - Lucas Hermann Negri e Yuri Kaszubowski Lopes - Graduação em Ciência da Cmputação
  • Montando o cubo de Rubik  - Ilton Ancelmo Pereira Junior - Mestrado Engenharia Elétrica

O primeiro projeto (Lucas e Yuri) foi feito em parte para a minha disciplina "Compiladores", lecionada no semestre 2008.1.

O segundo projeto (Ilton) foi feito para uma disciplina do mestrado lecionada pelo professor Claudio Sá, do grupo Coca, também neste semestre.


Visite este e outros projetos no dia 19 de julho das 10h às 18h, na UDESC Joinville.

Levando um quilo de alimento não perecível, uma peça de roupa ou um livro* você receberá uma cédula de votação para cada item doado.

Todos itens recolhidos na votação serão doados à Fundação Pauli Madi.



Professor da USP condena o uso de computadores por crianças


Apesar de contar com o apoio de muitos educadores, fazer parte das políticas educacionais do MEC e ter o aval da Unesco, a presença das tecnologias de informação e comunicação nas escolas não é uma unanimidade. Uma das vozes mais ativas contra o uso dos computadores por crianças e adolescentes é a de Valdemar Setzer, professor titular aposentado - mais ainda ativo - do departamento de Ciência da Computação da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo Setzer, o computador força um tipo de pensamento lógico-simbólico que não é próprio para as crianças. O professor acredita que as máquinas não só pioram o rendimento escolar dos alunos, como também prejudicam sua imaginação. Esse ponto de vista vai de encontro a um estudo realizado por pesquisadores da Unicamp, divulgado recentemente. Segundo a pesquisa, o uso intensivo do computador pelas crianças prejudica o desempenho em sala de aula. "Esse estudo comprovou minhas deduções, que tinham sido puramente conceituais", aponta o professor. Na entrevista a seguir, além de comentar o estudo, Setzer aprofunda seus argumentos contra o uso dos computadores e defende como alternativa o ensino de artes e música.

Quais são os seus principais argumentos contra o uso de computadores na educação?

Eu uso um argumento que talvez seja único, pois provavelmente ninguém mais usa: o computador força um tipo de pensamento matemático, lógico-simbólico, que não é próprio para a criança e mesmo o adolescente. O computador também força uma linguagem formal, estrita. É uma máquina que trabalha com causa e efeito matemáticos, isto é, se a máquina está num certo estado, dando-se um comando ou acionando-se um ícone sempre ocorre o mesmo efeito. Isso não existe em outras máquinas e muito menos nas atividades humanas, principalmente em relações sociais. Esse tipo de pensamento e linguagens forçados pelo computador não é próprio para crianças. Além disso, até mais ou menos oito anos de idade as crianças não distinguem fantasia de realidade, isto é, não existe nada estrito na mente de uma criança.

O computador e a internet exigem muita maturidade e autocontrole. Eles representam um ambiente totalmente fora do contexto de maturidade e cultural da criança. Ela teria que ter um discernimento de adulto para distinguir o que é próprio ou impróprio para sua idade e cultura. A internet, quando usada na educação, representa uma educação libertária, onde a criança faz o que quer. Sou totalmente contra esse tipo de educação, pois as crianças e adolescentes precisam ser orientados. Em termos de internet, existe um enorme perigo para crianças e adolescentes, como foi mostrado por Gregory Smith em seu livro, cujo título seria "Como Proteger seus Filhos na Internet" , que está sendo traduzido pela Editora Novo Conceito para o qual dei um parecer bem favorável e fiz uma resenha, disponível em meu site. Nesse livro, ele mostra como crianças e adolescentes são extremamente ingênuos (ainda bem, senão seriam adultos!) e revelam dados pessoais em blogs, chats, e-mail etc, e trocam e-mails e chats com desconhecidos. Isso também mostra a necessidade de uma certa maturidade para o uso da internet.

Não é, em absoluto, necessário que uma criança ou adolescente use a Internet. Afinal, nenhum adulto de mais de quarenta anos hoje usou computador ou a internet quando criança ou adolescente e, hoje, não tem dificuldades em usar. No entanto, se algum pai acha erradamente que os filhos devem usar internet, devem estar permanentemente ao lado da criança ou adolescente. Computador e internet são coisas sérias e não brinquedos. E por falar nisso, somente ao redor dos 17 anos é que um jovem começa a perceber que o computador e a internet podem ser instrumentos sérios e úteis. Essa é, na minha conceituação, a idade ideal para que os jovens comecem a usar a internet e o computador. Infelizmente, essa sugestão é bastante utópica por falta de conhecimento de pais e professores ou pela abdicação da responsabilidade de educar.

O que o sr. achou do estudo realizado na Unicamp que aponta queda de rendimento dos alunos que usam os computadores para realizar as tarefas escolares?


O estudo da Unicamp confirmou um outro anterior feito no Instituto de Pesquisas Econômicas da Comunidade Européia, utilizando os mesmos dados (Saeb de 2001). Só que no da Unicamp foi feita uma análise multivariada, separando-se os alunos em classes socioeconômicas, mas no global os resultados foram os mesmos: quanto mais os alunos usam um computador, pior o rendimento escolar. Esses estudos e outros comprovaram as minhas deduções, que tinham sido puramente conceituais - o primeiro artigo que publiquei contendo algo contra o uso de computadores na educação foi de 1976. Em geral, supõe-se que uma das causas da piora do rendimento escolar seja a perda de tempo no uso do computador em lugar de dedicação a tarefas escolares. Claro que esse é um fator importante, mas eu vou muito mais a fundo, pois analiso a influência do computador sobre a mente de crianças e jovens, em particular, sobre o pensamento. Por exemplo, qualquer aparelho com tela prejudica a imaginação, pois quando se vê uma foto, ou pior, um filme ou animação, não há nada mais a ser imaginado. Compare-se com a leitura de um romance onde tudo tem de ser imaginado, isto é, incentiva-se e treina-se a imaginação. Os desastres provocados por esses aparelhos levou um neurocientista alemão, Manfred Spitzer, a escrever um livro cujo título traduzido seria "Cuidado, Tela!", onde ele mostra que todos os aparelhos com tela produzem enormes prejuízos para crianças e jovens, desde aumento de peso pela passividade física que eles impõem até vários problemas psicológicos, como aumento da agressividade, passando por muitos outros efeitos, conforme menciono em um artigo que aborda os males de todos os meios eletrônicos.

O sr. acredita que a incorporação da tecnologia pela educação é um processo irreversível?


Não existe nada irreversível quanto à atividade humana. Isso depende de nós mesmos. Infelizmente, se a ignorância continuar, a tendência será essa. Será cada vez mais difícil encontrar escolas que não usam computadores na educação. Provavelmente só sobrarão as escolas Waldorf. No meu artigo contra o projeto Um Laptop por Criança, eu menciono alguns estudos estatísticos mostrando que, quanto mais crianças e jovens usam um computador, pior o rendimento escolar. Menciono também um artigo que saiu no jornal The New York Times mostrando que cinco escolas nos EUA acabaram com o programa de cada aluno ter seu computador, pois ficou claro que isso prejudica o rendimento escolar, não traz benefícios e o custo é altíssimo. Assim, tenho ainda alguma esperança de que a razão e o bom-senso acabem prevalecendo, e escolas e pais terminem com o uso de computadores por crianças e adolescentes.

Muitos educadores defendem o uso dos computadores pelas crianças alegando que as máquinas estão cada vez mais presentes na sociedade e fazem parte do cotidiano dos alunos, além de facilitar o acesso à informação. O que o Sr. acha disso?


A necessidade de crianças usarem o computador porque ele faz parte da nossa sociedade é uma falácia completa. Nesse caso, crianças deveriam guiar automóvel, logo que os pezinhos conseguissem acelerar e brecar e deveriam tomar bebidas alcoólicas bem cedo pois ambos fazem parte da sociedade. É necessário sempre examinar a questão da maturidade. Como o computador não provoca desastres físicos ou para a saúde como os automóveis e as bebidas alcoólicas, acha-se que o computador é inócuo. Este é um grande erro, pois o desastre que ele provoca é mental, portanto, de certo modo, muitíssimo pior. Estamos condenando crianças a serem futuros adultos com pensamentos frios (sem sensibilidade social) e rígidos, por exemplo.

Além disso, por que crianças deveriam ter acesso à informação? Como em tudo na educação, há idade adequada para isso. Qualquer aceleração do desenvolvimento de crianças, seja física como mental, é prejudicial. É um paradoxo que se tenta proteger as crianças contra agressões físicas e psicológicas, e não se perceba que os meios eletrônicos (TV, vídeos games e computador/internet) violam a natureza das crianças e dos jovens, prejudicando-os em suas capacidades de pensar, sentir e querer. Há tempo para crianças entrarem em contato com o mundo; qualquer pessoa vai concordar que ele é cada vez mais socialmente miserável, cheio de agressividade e negatividade. Isso é muito ruim para crianças, que deveriam achar que o mundo é belo e bom, para terem uma infância feliz, o que lhes dará segurança e criatividade na idade adulta. Como ninguém foi para o altar usando fraldas, também chega o tempo em que o jovem terá maturidade para enfrentar as ruindades do mundo - e terá muito mais energia para enfrentá-las se sua infância tiver sido poupada. Assim, o acesso à informação por crianças e adolescentes só deveria dar-se naquilo que é adequado para sua maturidade. Repito que não é necessário que uma criança use um computador ou a Internet, pelo contrário, eles são muito prejudiciais; mas se algum pai achar erroneamente que seu filho deve usá-los, é absolutamente necessário que fique ao lado da criança para que ela não faça bobagens (como fazer acesso a sites impróprios à sua idade), fique horas sentada ao lado da máquina (posição absolutamente anormal para uma criança!) etc.

O que o sr. recomenda às crianças e adolescentes em vez do uso do computador?


Isso depende da idade. Certamente, com crianças até 9 anos, o incentivo à imaginação e à fantasia é absolutamente essencial - exatamente o contrário do que fazem os aparelhos com tela. Contar histórias, mostrar figuras em livros infantis, brincar de bola, de roda, de pular, uso de brinquedos toscos como de madeira e bonecas de pano, etc. Falando de livros, infelizmente existem muito poucos livros infantis entre nós realmente artísticos (visite-se uma livraria para verificar isso); em geral as figuras são caricatas, mostrando um mundo distorcido, ou têm monstros - alguém pode me dizer o que vai pela cabeça de um pai que dá livros ou brinquedos de monstruosos dinossauros para suas crianças? Isso mostra como se perdeu totalmente a intuição do que é apropriado para crianças e deveria ser suficiente para se desconfiar profundamente de todas as novidades pedagógicas "modernosas", principalmente as que propõem o uso de meios eletrônicos na educação. Recomendo fortemente a visita a uma Escola Waldorf para ver como pode ser um ensino profundamente impregnado de arte e sem tecnologias eletrônicas. Em particular, visite-se qualquer jardim-de-infância Waldorf para se ter uma idéia do que é um ambiente amoroso, acolhedor, artístico, que faz com que qualquer pessoa queira voltar a ser criança novamente. Note-se como nele não há absolutamente nenhum ensino formal, como apreender a ler ou fazer contas. Há tempo para isso, idealmente depois dos 6,5 a 7 anos de idade. A propósito, nenhuma Escola Waldorf digna desse nome usa computadores na educação antes do ensino médio - e, nesse caso, para mostrar o que é um computador. Note-se também que, nessas escolas, não existe a geração do "Ctrl+C, Ctrl+V", a do "copia-e-cola".

 Para conhecer melhor o trabalho do Prof. Valdemar Setzer, acesse o seu site em http://www.ime.usp.br/~vwsetzer.


Fonte: http://www.cenpec.org.br/modules/news/article.php?storyid=626



--
Adolfo Neto
email: adolfont@gmail.com
http://www.linkedin.com/in/adolfont
home page: http://www.ime.usp.br/~adolfo
KEMS home page: http://kems.iv.fapesp.br

A Valdemar Setzer - Soneto de Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto

Fonte: http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/jokes/soneto-pedro-luiz.html

A Valdemar Setzer

Vi na televisão um velho amigo 
que teve a vida entre computadores,
um expert certamente nesse artigo,
contar, em advertência, seus temores...

Na opinião desse sábio, que comigo 
anotei -- e concordo em seus teores –
não merecem as crianças o castigo 
de essas máquinas ter por professores... 

É coisa para adultos... Deve a infância 
brincar à moda antiga, em consonância 
com o mais adequado à sua idade...

A inclusão digital a qualquer preço,  
ensandecendo os jovens no começo, 
temo-a uma cruz da nova sociedade...

    Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto

       21/06/08

(Pedro Luiz, que foi meu colega de faculdade -- estava na turma anterior -- escreveu esse soneto
depois de ter visto uma entrevista minha na TV Gazeta, no fim de 6/08. VWS -- www.ime.usp.br/~vwsetzer)

 

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Aprenda a programar em dez anos




Fonte: http://pihisall.wordpress.com/2007/03/15/aprenda-a-programar-em-dez-anos/

Aprenda a Programar em Dez Anos

Peter Norvig

Tradução por Augusto Radtke

Porque todo mundo tem tanta pressa?

Entre em qualquer livraria, você vai ver Aprenda Java em 7 dias assim como diversas variações oferecendo lições de Visual Basic, Windows, Internet e por ai vai, em dias ou horas. Eu fiz a seguinte pesquisa na Amazon.com:

pubdate: after 1992 and title: days and

(title: learn or title: teach yourself)

e encontrei 248 entradas. As primeiras 78 eram livros sobre computadores (número 79 era Learn
Bengali in 30 days
). Troquei "dias" por "horas" e encontrei resultados incrivelmente similares: 253 livros, 77 de computadores, seguidos de Teach Yourself Grammar and Style in 24 Hours no número 78. Do total de 200, 96% eram livros de computadores.

A conclusão é que ou as pessoas estão com muita pressa de aprender sobre computadores, ou computadores são extremamente fáceis de aprender do que qualquer outra coisa. Não há livros de como aprender Beethoven, ou Física Quântica ou até adestramento de cães em alguns dias.

Vamos analisar o que um título como Learn Pascal in Three Days
pode significar:

  • Aprenda: Em três dias você não terá tempo de escrever programas significantes, e aprender com seu sucesso ou fracasso. Você não terá tempo para trabalhar com um programador experiente e entender o que é conviver neste ambiente. Em resumo, você não terá tempo para aprender muito. Logo eles só podem estar falando a respeito de entendimento supercial, como disse Alexander Pope, aprender pouco é uma coisa perigosa.
  • Pascal: Em três dias você deve ser capaz de aprender a sintaxe do Pascal (isso se você já conhece uma linguagem similar), mas não vai aprender muito sobre como utilizar essa sintaxe. Em resumo, se você era, vamos dizer, um programador Basic, você pode aprender a escrever programas no estilo Basic usando a sintaxe do Pascal mas não aprender em que o Pascal é bom (ou ruim). Então, qual o ponto? Alan Perlis disse certa vez: "Uma linguagem que não afeta a maneira que você pensa sobre programação, não vela a pena ser aprendida". Um ponto é se você precisar aprender um pouco de Pascal (ou algo como Visual Basic ou Javascript) porque você precisa interagir com alguma ferramenta existente para uma tarefa específica. Mas nesse caso você não esta aprendendo a programar, você está aprendendo a como resolver essa tarefa.
  • em três dias: Infelizmente, não é suficiente, como veremos a seguir.

Aprenda a Programar em Dez Anos.

Pesquisadores (Hayes, Bloom) tem demonstrado que leva em torno de dez anos para desenvolver perícia em qualquer de uma variedade de áreas, includindo jogar xadrez, compor músicas, pintar, tocar piano, nadar, jogar tênis e pesquisar neuropsicologia ou topologia. Aparentemente não há atalhos: até Mozart, que foi um prodígio musical aos 4 anos levou mais 13 antes de compor música de primeira classe. De outra forma, ou Beatles parecem ter disparado nas paradas em primeiro lugar com a aparição no show do Ed Sullivan em 1964. Mas eles estavam tocando em pequenos clubes em Liverpool e Hamburgo desde 1957, e mesmo que eles conseguiram uma aparição em masa, o primeiro grande sucesso mesmo, Sgt. Peppers, foi lançado em 1967. Samuel Johnson pensa que pode levar mais do que dez anos: "Excelência em qualquer departamento pode ser alcançada apenas com o trabalho de uma vida toda; não é possível compra-lá por menos." E Chaucer reclamou: "vida tão curta, leva tantu pra aprender." Sim, é "tantu", e não "tanto", um dia você entende.

Então aqui vai minha receita para sucesso na programação:

  • Aprenda inglês. Leia o original deste texto. Essa tradução só está aqui para exercitar o meu inglês, não o seu. (Nota do tradutor)
  • Se interesse por programação, e faça porque é legal. Tenha certeza que isso continue a ser legal para você dedicar dez anos nisso.
  • Converse com outros programadores; leia outros programas. Isso é mais importante do que qualquer livro ou curso de treinamento.
  • Programe. O melhor tipo de aprendizado é aprender fazendo.
    Colocando de uma forma mais técnica, "o nível máximo de performace individual em um domínio é não é alcançado automaticamente em função de uma experiência extendida, mas sim aumentado mesmo por indivíduos extramente experientes por um esforço deliberativo de melhorar." (p. 366) e "o aprendizado mais efetivo requer uma tarefa bem definida com uma dificuldade apropriada para o indivíduo em particular, dado que exista um retorno sobre a experiência e oportunidades de repetição e correções de erros." (p. 20-21) do livro
    Cognition in Practice: Mind, Mathematics, and Culture in Everyday Life
    , que é uma referência interessante deste ponto de vista.
  • Se você quiser, gaste quatro anos em uma universidade (ou mais em uma pós-graduação). Isso lhe dará acesso a alguns empregos que requerem alguma formação e um grande entendimento do campo de trabalho, mas se você não gosta muito de ir para escolha, você pode (com alguma dedicação) conseguir alguma experiência similiar sobre esse tipo de trabalho. Em qualquer caso, apenas ler livros não será suficiente.
    "Educação em ciências da computação não faz de ninguém um gênio em programação tanto quanto estudar pincéis e pigmentos não fazem um bom pintor." diz Eric Raymond, autor de The New Hacker's Dictionary. Um dos melhores programadores que eu já contratei tinha apenas o segundo grau, e ele produziu vários softwares incríveis, tem seu próprio grupo de discussão,
    e fez dinheiro suficiente em ações para comprar seu próprio clube nortuno.
  • Trabalhe em projetos com outros programadores. Seja o melhor programador em alguns projetos, seja o pior em outros. Quando você é o melhor você testa suas habilidades para liderar um projeto, e para inspirar outros com a sua visão. Quando você é o pior aprende o que os mestres ensinam e o que não gostam de fazer (porque eles fazem você fazer por eles).
  • Trabalhe em projetos após outros programadores. Esteja envolvido em entender um programa
    escrito por outro. Veja o que é preciso para entender e consertar quando o programador original não esta por perto. Pense em como desenvolver seus programas para que seja fácil para quem for mante-lós após você.
  • Aprenda pelo menos meia dúzia de linguagens de programação. Includa na lista uma linguagem orientada a objetos (como Java ou C++), uma que seja de abstração funcional (como Lisp ou ML), uma que suporte abstração sintática (como Lisp), uma que suporte especificação declarativa (como Prolog ou C++ com templates), uma que suporte co-rotinas (como Icon ou Scheme), e uma que suporte paralelismo (como Sisal).
  • Lembre-se que há um "computador" em "ciência da computação". Saiba quanto tempo leva para o seu computador computar uma instrução, carregar uma palavra ad memória (com e sem cache), ler palavras consecutivas do disco rígido, procurar por uma nova posição no disco.(As respostas estão aqui.)
  • Se envolva no esforço de padronização de uma linguagem. Pode ser o comite ANSI C++, ou na padronização de programação na sua empresa, se utilizaram identação com 2 ou 4 espaços. Em qualquer caso, você aprende o que outras pessoas gostam em uma linguagem, o quanto eles gostam e talvez um pouco do porque eles gostam.
  • Tenha o bom senso de cair fora desse processo de padronização tão rápido quanto possível.

Com tudo isso em mente, é questionável o quão longe você pode ir apenas lendo livros. Antes que do meu primeiro filho nascer eu li todos os livros de Como Fazer e ainda me sentia como um novato. Trinta meses depois, quando nasceu meu segundo filho, voltei aos livros para relembra? Não, ao invés disso resolvi utilizar minha experiência pessoal do primeiro filho, que se tornou muito mais útil do que milhares de páginas escritas por especialistas.

Fred Brooks, em seu trabalho No Silver Bullets identificou um plano em três partes para encontrar grandes projetistas de software:

  1. Sistematicamente identifique os melhores projetistas o quanto antes.
  2. Atribua um orientador de carreira responsável pelo desenvolvimento cuidadosamente de um plano de carreira
  3. Promova oportunidades para desenvolvedores em aprendizado interagir e estimular uns aos outros.

Isto assumo que algumas pessoas já possuem as qualidades necessárias para ser um grande desenvolvedor de software; o grande trabalho é apenas coloca-los no caminho correto. AlanPerlis coloca de forma mais sucinta: "Qualquer um pode ser ensinado a esculpir: Michelangelo precisaria ser ensinado a não esculpir. É o mesmo com grandes programadores".

Então vá em frente e compre aquele livrode Java; provavelmente você terá algum uso dele. Mas isso não vai mudar a sua vida, ou o seu conhecimento como um programador em 24 horas, dias, ou meses.


Referências

Bloom, Benjamin (ed.) Developing Talent in Young People, Ballantine, 1985.

Brooks, Fred, No Silver Bullets, IEEE Computer, vol. 20, no. 4, 1987, p. 10-19.

Hayes, John R., Complete Problem Solver Lawrence Erlbaum, 1989.

Lave, Jean, Cognition in Practice: Mind, Mathematics, and Culture in Everyday Life, Cambridge University Press, 1988.


Respostas

O tempo aproximado de execução de várias operações num PC típico de 1Ghz no verão de 2001:

executar uma instrução simples 1 nseg = (1/1,000,000,000) seg
extrair uma palavra da memória L1 2 nseg
extrair uma palavra da memória RAM 10 nsec
extrair uma palavra consecutivamente do disco rígido 200 nseg
extrair uma palavra de uma nova posição o disco (busca) 8,000,000nseg = 8mseg

Apêndice: Escolha de Linguagem

Muitas pessoas tem me perguntado sobre qual linguagem devem aprender primeiro.
Não há resposta, mas considere estes pontos:

  • Use os seus amigos. Quando me perguntam "que sistema operacioal devo usar, Windows, Unix ou Mac?" minha resposta geralmenet é: "use o que seus amigos usarem". A vantagem é que você poder aprender com os seus amigos vence qualquer diferença entre sistemas operacionais ou linguagens. Considere também seus futuros amigos: a comunidade de programadores que você fará parte se continuar. A sua escolha possuia uma grande comunidade de usuários ou apenas uma comunidade morta? Existem livros, sites e fórums para encontrar respostas? Você gosta das pessoas desses fórums?
  • Mantenha-se simples. Linguagens como C++ ou Java são desenvolvidas para utilização profissional por um grande time de desenvolvedores experientes que estão preocupados com a eficiência de execução de seus códigos. Como resultado, essas linguagens possuem partes complicadas desenvolvidas para essas circunstâncias. Você esta focado em aprender a programar, não precisa dessa preocupação. Você precisa de uma linguagem que foi desenvolvida para ser fácil de aprender e lembrar.
  • Interaja. Como normalmente você aprenderia piano: de modo interativo, no qual você escuta uma nota logo que pressiona uma tecla ou de um modo automizado em que você escuta cada nota quando a música termina de tocar? Claramente, aprender interativamente é muito mais fácil, e assim é com a programação. Insista em uma linguagem com um modo interativo e use-o.

Baseado nesses critérios, minhas recomendações para uma primeira linguagem seria Python ou Scheme. Mas as suas circunstâncias podem variar, e existem
outras boas opções. Se a sua idade ainda tiver apenas um dígito, é melhor escolher Alice ou Squeak (aprendizes mais velhos podem gostar também). O importante é você escolher e começar.


Apêndice: Livros e outros recursos

Muitas pessoas me perguntam em quais livros e páginas elas devem aprender. Eu repito que "apenas ler livros não é suficiente" mas eu posso recomendar o seguinte:


Notas

T. Capey informa que a página de Complete Problem Solver na Amazon agora possui "Teach Yourself Bengali in 21 days" e "Teach Yourself Grammar and Style" na lista de livros que "Consumidores que compram esse item também costuma comprar estes".
Eu imagino que um grande parte das pessoas que visualizam esse livro vem dessa página.




KEMS home page: http://kems.iv.fapesp.br

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Anais do CSBC 2008 - Disponíveis online

Recebi a mensagem abaixo através da lista da SBC.
Ler os anais é uma excelente oportunidade para conhecer a pesquisa em computação no Brasil.

---------- Forwarded message ----------
From: Marcelo Walter
Date: Thu, Jul 10, 2008 at 9:56 AM
Subject: [Sbc-l] Anais do CSBC 2008 - Disponíveis online
To: Lista da SBC <sbc-l@sbc.org.br>, conselho <conselho-l@sbc.org.br>


Gostaríamos de anunciar, em nome da organização do XXVIII
Congresso da SBC, que os anais dos 13 eventos que se
realizam durante o congresso já encontram-se
disponíveis com acesso livre no site do evento

http://www.sbc.org.br/sbc2008

Marcelo
_______________________________________________
Sbc-l mailing list
Sbc-l@sbc.org.br
https://grupos.ufrgs.br/mailman/listinfo/sbc-l


Receba as postagens deste blog por email