sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Introdução aos Sistemas Inteligentes, por Adolfo Bauchspiess
Autor: Adolfo Bauchspiess (UnB)
Página da disciplina Introdução ao Controle Inteligente Numérico: http://www.ene.unb.br/~adolfo/ICIN
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Text 2 Mind Map
Essa é para os estrategistas e planejadores de plantão! Conheçam o Text 2 Mind Map, uma ferramente muito boa, muito boa mesmo e fácil de usar para criar mapas conceituais.
Basta você informar em formato de texto e listas as ações e gerar o mapa. Você pode editar linhas, cores, etc. Por fim, baixe o mapa em formato de imagem. Nota 10!
Acessem: http://www.text2mindmap.com/
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Uma questão bastante controversa...
TCU tenta reaver R$ 71 milhões de pesquisadores que foram para o Exterior com bolsa do governo
Carina Rabelo
DÍVIDA Lucio Soibelman ficou nos EUA, onde tinha melhores oportunidades de trabalho, e hoje deve R$ 1,1 milhão |
A concessão de uma bolsa de estudos no Exterior é um prêmio ou um investimento? Quando se trata de verba pública, é um contrato de prestação de serviços entre o Estado - que garante bolsa integral e auxílio financeiro - e o pesquisador. Este deve concluir a pós-graduação e retornar ao País para contribuir com o desenvolvimento do Brasil durante o mesmo prazo de duração da bolsa. As exigências estão no Termo de Compromisso assinado pelo bolsista. Mas, mesmo cientes da obrigação, alguns pesquisadores descumprem o contrato por entenderem que receberam o benefício por mérito próprio e, portanto, teriam autonomia. Outros, concluem os estudos e decidem morar no Exterior em busca de melhores oportunidades na carreira. Em ambos os casos, o Brasil está fora dos planos. Por isso, o Tribunal de Contas da União está cobrando o que é devido ao Erário.
"O pesquisador também deve prestar contas à sociedade" Ubiratan Aguiar presidente do TCU
Levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU) revela que, entre os anos de 2002 e 2008, houve 272 processos contra bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) - equivalente a 8% do total de bolsas oferecidas no período (3.500). Os pesquisadores devem aos cofres públicos mais de R$ 71 milhões. A lista dos irregulares é ainda maior, pois os processos que chegam à CGU são aqueles nos quais se esgotaram as tentativas de acordo.
O Tribunal de Contas da União (TCU) contabiliza 395 processos contra bolsistas do CNPq. Destes, 318 foram concluídos e encaminhados à Advocacia-Geral da União, que executa a dívida de 91 condenações. Alguns bolsistas argumentam que não há estrutura no País para dar continuidade às pesquisas iniciadas no Exterior, alegação rebatida por Luiz Navarro, da CGU. "Se tivéssemos as condições necessárias, não precisaríamos mandar um pesquisador para fora", diz ele. "A proposta é que ele ajude a criar esta estrutura no País."
Lucio Soibelman, Ph.D. em sistemas de engenharia civil pela Universidade Cambridge de Boston, nos EUA, lidera a lista de bolsistas devedores em 2008 com débito de R$ 1,1 milhão. Em 1993, ele recebeu a bolsa do CNPq com o compromisso de voltar ao Brasil em 1998, mas decidiu morar fora. "Se voltasse naquela época, teria que esperar algum professor doutor morrer para assumir o cargo na universidade", diz Lucio, hoje professor na Carnegie Mellon University. "Havia um grande descompasso entre as oportunidades oferecidas no Exterior e no Brasil." É comum esta elite acadêmica justificar as irregularidades com problemas pessoais ou interesses individuais, mas isso não muda o fato de eles estarem descumprindo um contrato. "O pesquisador também deve prestar contas à sociedade", afirma o ministro Ubiratan Aguiar, presidente do TCU. Os bolsistas são condenados em 100% dos casos que chegam ao Tribunal.
Fonte: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2049/artigo125979-1.htm
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Foco competitivo
fev 10, 2009
"O Brasil precisa de uma estratégia mais agressiva de promoção de suas capacidades em desenvolvimento de software no mercado internacional". Essa é a opinião de Felipe Matos, sócio-diretor do Instituto Inovação. Para ele, o país deve aproveitar os segmentos em que é competitivo, como o financeiro, de jogos e de aplicações móveis para crescer cada vez mais no mercado de Tecnologia da Informação (TI).
Nesta entrevista, Matos fala ainda que as incubadoras exercem importante papel para as empresas em fase inicial, no que se diz respeito à sua sobrevivência. Segundo o executivo, a chance de continuidade do negócio é duas vezes maior quando empreendimentos nascem a partir de companhias de base tecnológica.
Um estudo da Business Software Alliance (BSA) mostra que o país continua na 43ª posição no ranking das 66 nações que oferecem os melhores ambientes de suporte às empresas de Tecnologia da Informação (TI). Por que o Brasil não avançou nesse cenário?
Não se trata de não avançarmos. Estamos avançando, porém, nossos competidores internacionais não ficam parados. Eles progridem no mesmo ritmo, mantendo o distanciamento entre nós. Trata-se da síndrome da rainha vermelha. No filme Alice no País das Maravilhas, a rainha diz: "aqui neste país, Alice, você precisa correr o máximo que puder para permanecer no lugar". É a situação em que nos encontramos. Se quisermos diminuir as diferenças em relação às nações desenvolvidas precisamos aumentar o uso da Tecnologia da Informação (TI) em um ritmo ainda mais acelerado que nossos vizinhos. A boa notícia é que existe um grande espaço para o aumento do nível de informatização e da adoção de tecnologias no Brasil, especialmente no segmento das micro e pequenas empresas.
Estimativas da Sociedade Brasileira para Promoção da Exportação de Software (Softex) apontam que o país exporta US$ 800 milhões em software. Qual deve ser a estratégia adotada pelo governo e pelas empresas para que esse número aumente?
As dimensões continentais do Brasil são uma oportunidade, mas também um desafio para os empreendedores. Muitas vezes, esquecemos que existe um mercado enorme lá fora. Não existe fórmula do sucesso. Entretanto, se olharmos para experiências bem-sucedidas da Coréia e, mais recentemente, da Índia, percebemos alguns componentes importantes. Investimento em ciência e na qualificação dos recursos humanos, incentivos fiscais e de fomento às empresas exportadoras e propaganda do país lá fora. A Índia foi – e vem sendo – extremamente agressiva no offshore de baixo custo mundial. O Brasil precisa de uma estratégia mais agressiva de promoção de suas capacidades em desenvolvimento de software internacionalmente, aproveitando os segmentos em que é competitivo, como financeiro, jogos e aplicações para celulares.
Qual é o fator chave para o desenvolvimento do segmento de tecnologia no Brasil?
Países que conseguiram pavimentar bem a ponte entre universidades e empresas tiveram e ainda têm obtido resultados positivos. Basta ver o exemplo de companhias como Google, Yahoo! e Microsoft, que surgiram a partir de projetos de pesquisa em universidades americanas. Elas ajudaram a criar uma indústria próspera no Vale do Silício. É claro que a realidade brasileira é diferente. Precisamos aproximar mais essas duas realidades. O governo tem feito um bom trabalho nos últimos dez anos, aumentando de forma expressiva os recursos de fomento a pesquisas aplicadas, capazes de gerar inovação. Em paralelo, foram criadas a Lei de Inovação e a Lei do Bem, que dão incentivos para que empresas invistam mais em pesquisa. A indústria do capital de risco também vem crescendo, com o surgimento recente de diversos fundos que investem em empresas nascentes, oriundas de centros de pesquisa, como o Fundo Criatec. Está ainda em voga – e precisamos praticar – o conceito de open innovation, que prega que as companhias devem abrir suas portas para internalizar inovações desenvolvidas externamente, fazendo parcerias com universidades e outras empresas.
Qual a sua opinião sobre as incubadoras de empresas brasileiras? Elas estão conseguindo transferir tecnologia?
As incubadoras possuem um papel importante, de aumentar as chances de sobrevivência das empresas nos primeiros estágios. Elas já estão demonstrando que a taxa de sobrevivência dos negócios em incubadoras é duas vezes maior que a daquelas criadas fora desse ambiente. Entretanto, esse modelo deve ser aprimorado. Isso porque, há incubadoras que acabam atuando como meras fornecedoras de espaço físico aos empreendedores, perdendo a sua essência, que é apoiá-los, por meio de aconselhamento na gestão e entendimento do negócio. Existe um desafio que é tornar estas instituições autosustentáveis, exigindo a criação de modelos de negócios diferenciados, como a participação no resultado futuro das companhias incubadas.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Publicar mais, ou melhor? O tamanduá olímpico - Luiz Oswaldo Carneiro Rodrigues
http://www.observatoriodauniversidade.blog.br/page3.aspx
Publicado originalmente na:
Revista Brasileira de Ciências do Esporte 29 (1): 35-48, 2007.
Luiz Oswaldo Carneiro Rodrigues
Professor Titular de Fisiologia do Exercício da Universidade Federal de Minas Gerais
Resumo
O presente texto discute alguns dos critérios que os órgãos financiadores da pesquisa utilizam para escolher os projetos contemplados nas Ciências do Esporte, embora esta questão possa ser importante também para os cientistas brasileiros de outros campos do conhecimento. Observa-se que as transformações realizadas nos últimos anos nos sistemas de fomento e classificação dos programas de pós-graduação resultaram no aumento da produtividade científica brasileira medida pelas publicações indexadas no contexto internacional. No entanto, a pressão institucional quantitativa pela publicação pode estar induzindo a distorções de comportamento entre os cientistas, o que compromete o próprio sentido do fazer científico e o futuro da ciência no Brasil. Uma comparação entre o tamanduá e a ciência produzida pelos brasileiros pode ser útil no entendimento de algumas propostas de ação para a comunidade científica ligada às Ciências do Esporte.
(...)
Há qualidade na quantidade?
Independentemente da língua utilizada na publicação, no sistema de pontuação e classificação dos órgãos de fomento podem ocorrer distorções que causam injustiças e resultam em desânimo quando um cientista desconfia que foi desmerecido no processo. Para exemplificar, vamos observar dois casos reais.
O primeiro, vamos denominá-lo de Doutor A, recentemente classificado como pesquisador do CNPq no primeiro nível (I), com direito à bolsa e também ao chamado auxílio de bancada, ou seja, um recurso mensal para gastar em pesquisas, durante três anos. Observando-se sua produção científica extraída do banco de currículos da Plataforma Lattes[xi] no dia 22 de Dezembro de 2006, verifica-se que o Doutor A publicou 54 artigos de 2004 até aquela data, ou seja, um artigo e meio por mês, o que significa que ele deve ter concluído uma pesquisa e meia por mês para dispor de dados originais e resultados suficientemente relevantes para merecerem a atenção da comunidade, ou seja, serem publicados. Ou então, teria concebido uma nova teoria a partir de dados antigos, o que o tornaria um caso raro de cientista que cria novos conceitos importantes quase duas vezes por mês ao longo de três anos. Desta produção, no entanto, 31 artigos foram publicados numa revista na qual o Doutor A é o próprio editor! Entre os demais artigos de sua exuberante lista, aqueles melhores qualificados para disputar um lugar ao Sol na comunidade internacional foram apenas dois os publicados numa revista espanhola: no entanto, mesmo este periódico possui tão pouco impacto (não é em inglês...) que nem mesmo é considerado relevante pela coordenação dos programas de pós-graduação brasileiros[xii]. Não é preciso mais comentários para se perceber que o Doutor A optou por publicar cada vez mais ao invés de cada vez melhor. No atual sistema de pontuação, apenas com os artigos publicados na sua própria revista ele conseguiu 31 pontos, desbancando qualquer outro pesquisador que tivesse, digamos, no mesmo período publicado um artigo por ano na melhor revista internacional, que faria 3 x 8 = 24 pontos apenas, o que poderia significar para este último ficar de fora da lista dos contemplados com os recursos para sua pesquisa.
No segundo exemplo, também real e emblemático, o excepcional número de publicações desta vez acontece em inglês. O Doutor B, também da área da saúde, apenas dois anos após a conclusão do seu doutorado obteve sua classificação como pesquisador nível I no CNPq com um currículo impressionante (também obtido na Plataforma Lattes em 22/12/2006), no qual constam 57 artigos publicados em variadas revistas em apenas três anos, o que significa 1,58 artigos por mês, algo parecido com o que observamos na produção do Doutor A, mais uma vez sugerindo uma fantástica obtenção de resultados ou criação de novas idéias científicas mensalmente. No entanto, enquanto o Doutor A obteve seu doutorado há vários anos e já orienta muitos alunos em várias universidades, o que permitiria teoricamente a sua co-participação na autoria de diversos trabalhos realizados pelas várias pirâmides de produção científica (orientador – alunos de doutorado – de mestrado – de iniciação científica) nos diferentes locais, o Doutor B começou sua atividade de orientação muito recentemente. O mais incrível é que apesar de sua juventude científica os artigos do Doutor B tratam de uma impressionante quantidade de assuntos variados: 29 doenças diferentes, com algumas ligações entre si se as considerarmos englobadas numa especialidade médica suficientemente abrangente. Não citaremos as doenças ou a especialidade para impedir a identificação do Doutor B, uma vez que nossa intenção é demonstrar a distorção do sistema e não personalizar o problema. Como esperado, a sua participação como co-autor intermediário (nem o primeiro, - geralmente o mais envolvido com o trabalho, nem o último – geralmente o orientador) foi de 37% nos seus artigos indexados no sistema de procura científica PubMed[xiii], o que pode explicar em parte a profusão de artigos e temas, sem que saibamos o seu verdadeiro grau de envolvimento com o conhecimento produzido, o que se constitui numa deficiência do nosso sistema de citação de autores[xiv].
Para saber se talvez estejamos diante de um futuro ganhador do Prêmio Nobel, resolvemos comparar a produção dos Doutores A e B com, por exemplo, dois dos últimos agraciados em Medicina: Craig C. Mello (2006) e J. Robin Warren (2005). Se considerarmos a produção científica destes dois cientistas premiados, também a partir das publicações citadas no PubMed, observa-se que Mello apresenta 45 artigos em revistas indexadas no período de 16 anos, ou seja 2,8 por ano. Warren, por sua vez, nos últimos 56 anos aparece com 94 artigos, ou seja, uma taxa de 1,6 artigos por ano. Enquanto isso, o nosso Doutor B exibe no mesmo sistema de procura a impressionante cifra de 29 artigos em três anos, ou seja, mais de 9,6 publicações anuais, batendo de longe os dois ganhadores do Nobel. O Doutor A, como já vimos, não foi encontrado naquele sistema de procura.
(...)
Leia mais em http://www.observatoriodauniversidade.blog.br/page3.aspx