quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Publicar mais ou melhor? - O Tamanduá...


Prof. Luiz Oswaldo Carneiro Rodrigues
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)


Publicado na:
  • Rev. Bras. Cienc. Esporte, vol. 29, no. 1, pp. 35-48, 2007


Introdução ao tamanduá

Fosse a ciência produzida no Brasil um tamanduá-bandeira, sabemos que o nosso curioso e típico mamífero quadrúpede não sobreviveria se o repartíssemos em segmentos alguns mais, outros menos importantes: os primeiros recebendo mais recursos, sangue, açúcar, oxigênio, sais minerais e vitaminas, enquanto os demais seriam tratados à míngua, abaixo do conhecido limiar de sobrevivência de São Mateus: "àqueles que tudo têm, mais lhes será dado; aqueles que nada têm, o pouco que lhes resta lhes será tomado". Apesar de absurda na metáfora, essa parece ser a realidade da distribuição dos recursos vitais para a produção de conhecimento no Brasil e o campo das ciências do esporte talvez possa ser localizado num daqueles pelos da enorme cauda do tamanduá, oscilando de um lado para outro ao sabor do seu desajeitado caminhar em busca de cupins e formigas orçamentárias, ainda e sempre ameaçado de extinção. Portanto, é desse ponto de vista que vamos emitir alguns grunhidos descontentes que, seguramente, devem ser diferentes das reflexões epistemológicas dos cientistas localizados na ponta da língua do nosso querido mamífero, quando ele a expõe diante do fotógrafo internacional que vem documentar a nossa biodiversidade.

Publish or perish … or push the parish?1

Como se sabe, o elemento fundamental para a produção de conhecimento é o financiamento dos seus custos, e para obter recursos para sua pesquisa, como bolsas e auxílios financeiros, qualquer cientista brasileiro deve apresentar um projeto, o qual deve ser aprovado quanto ao mérito, e seu currículo deve alcançar uma determinada pontuação no sistema de classificação dos órgãos de fomento, como, por exemplo, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Uma vez que a necessidade de financiamento se torna progressivamente maior à medida que mais tecnologia é incorporada às técnicas científicas, obter verbas nos órgãos de fomento tornou-se a expressão máxima da competição entre os pesquisadores.

Balizados formalmente pelo discurso da ética, os candidatos enviam seus projetos de pesquisa detalhados e seu currículo, que são analisados por comitês pertinentes a cada uma das subdivisões das três grandes áreas em que foi dividida a ciência. Ainda que nas subdivisões das áreas os projetos sejam agrupados de acordo com alguma afinidade entre si, na verdade cada pesquisador traz para a avaliação um tema que, em princípio, deve ser original e que, portanto, encontra poucas pessoas capazes de julgar a sua relevância com precisão. Assim, são convidados outros pesquisadores para darem pareceres técnicos sobre os projetos dos colegas, o que se tornou uma atividade obrigatória para aqueles já contemplados com recursos (bolsas e auxílios) e que resulta em geral numa verificação se o método científico proposto está correto e se as técnicas e os orçamentos são adequados, dada a progressiva especificidade temática de cada projeto. Nesse ponto do processo já encontramos problemas: o bioquímico Franklin Rumjanek, por exemplo, critica o critério de seleção para financiamento de projetos das agências de fomento à pesquisa do país porque o perfil do solicitante é levado mais em conta do que a pesquisa em si, o que gera distorções na hora da escolha, pois a decisão se baseia no número de trabalhos publicados e na qualidade dos periódicos científicos que os aceitaram, mas não garante que seja selecionada a parcela mais produtiva de pesquisadores (RUMJANEK, 2006). Assim, caso seja aprovado o mérito do projeto, a distribuição das verbas entre os pedintes será realizada de acordo com a classificação do currículo do pesquisador a partir de uma pontuação detalhada de cada atividade considerada relevante segundo os critérios do órgão de fomento.

Leia mais em http://bit.ly/8AjAEg

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

PlaySchool 2010

A escola PlaySchool (uma das poucas escolas verdadeiramente bilíngues de Curitiba) estará em novo endereço em 2010: View Larger Map

A nova sede será na Rua Ludovico Bronny, no Pilarzinho, na esquina com a rua Anna Garcia da Silva.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Cursos da AgilCoop no Verão 2010 do IME/USP

Divulgando a pedidos...


veraoagil2010.png

Os nossos cursos ágeis vêm sendo ministrados anualmente desde 2007.

Não perca a oportunidade de conhecer mais sobre métodos ágeis, Programação eXtrema (XP), Scrum, Lean, testes automatizados e outros tópicos no treinamento ministrado pelos membros da AgilCoop no IME/USP para profissionais do mercado de TI.

Em 2010, serão oferecidos três cursos, um para cada tipo de público. Veja, nos links abaixo, os detalhes de cada um:

Introdução a Métodos Ágeis de Desenvolvimento de Software

Desenvolvimento de Software de Qualidade através de Testes Automatizados

Laboratório de Programação eXtrema


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Receita para Tornar-se um Pesquisador "Produtivo"

A "receita" abaixo foi tirada do artigo "Avaliação Bibliométrica de Pesquisadores: não é correta . . . nem mesmo errada " de Frank Laloë e Rémy Mosseri ,
traduzido por Paulo Murilo Castro de Oliveira, Jorge Sá Martins e Suzana Moss da UFF, e Adriano Sousa da UFRN
(ver mensagem em http://www.sbf1.sbfisica.org.br/boletim1/msg190.htm).

Um link direto para a tradução completa do artigo é http://www.sbf1.sbfisica.org.br/boletim1/arquivos/laloe.pdf.

Receita

Se você é um bom pesquisador e deseja melhorar seu índice H, eis alguns conselhos:
1. Trabalhe num grupo de pelo menos 5 ou 6 pessoas, se possível mais, cujas publicações são sistematicamente compartilhadas; isso permitirá pelo menos dobrar seu índice, talvez mais. Ademais, este agrupamento de esforços permite compartilhar os "meios" (materiais e humanos, posdocs por exemplo) e talvez pode mesmo aumentar sua produtividade real, o que não é desprezível. Inútil acrescentar que, quanto mais brilhantes forem seus colegas, mais você se beneficiará; portanto, escolha-os bem!
2. Favoreça os grandes domínios; constata-se uma correlação entre as taxas de citações e o tamanho do domínio científico, devido ao fato dos artigos de pequenos domínios citarem muitos artigos gerais e não o inverso. Evite trabalhos à margem da corrente geral de seu domínio, mesmo se você é genial: passarão 10 anos para que seus trabalhos sejam realmente reconhecidos, e então serão os trabalhos derivados dos seus que serão citados. Enfim, não se deixe deslumbrar pelo interesse científico de suas pesquisas: arriscar a tentativa de um furo científico elucidativo raramente é compensador antes de décadas!
3. Não perca tempo sobretudo a publicar livros ou compêndios, qualquer que seja seu impacto internacional; são peso morto para os indicadores.
4. Não dê muita importância à missão fundamental do pesquisador, a produção de conhecimento, em particular ao redigir seus artigos; é a comunicação que passa na frente.

PS: Obrigado ao professor Mario Benevides por indicar o artigo na lista Logica-l na mensagem http://www.dimap.ufrn.br/pipermail/logica-l/2009-December/004221.html

Receba as postagens deste blog por email