terça-feira, 24 de maio de 2016

Não há nada de mágico sobre o café da manhã

Eu sou da época em que se achava que o café da manhã (desjejum) era a refeição mais importante do dia. Deveríamos, segundo um ditado, comer pela manhã como reis, no almoço como príncipes, e à noite como mendigos.

Aos poucos vamos descobrindo que isto é bobagem.

Um texto publicado ontem no New York Times  deixa claro que não há nada de mágico sobre o café da manhã. Até mesmo pede desculpas.

Eu não costumo comer nada pela manhã. Em geral tomo café com nata. Portanto não faço um jejum intermitente tradicional, só à base de água.  Mas não consumo nenhum carboidrato ou proteína pela manhã (ou ao menos até 11h30, que é quando almoço).

E por que faço isso? Porque é o que me dá vontade de fazer. Até seria mais prático e barato tomar café da manhã, pular o almoço, e depois só jantar. Mas, em geral, não tenho vontade de comer pela manhã. E quando tenho, simplesmente como.

O mais importante do texto de Aaron E. Carroll (professor de Pediatria na Universidade de Indiana) no NYT é deixar claro que muito que aprendemos sobre nutrição ou é baseado em ciência ruim, ou é baseado em interpretações incorretas de resultados científicos. Parafraseando Steven E. Nissen, será que a área de Nutrição é uma Área Livre de Evidências

Pelo texto do Aaron, sim. Ele lista vários erros que foram cometidos ao longo dos anos para apoiar a ideia de que o café da manhã é uma refeição importante, ou a mais importante. E a conclusão dele é que as evidências são uma bagunça e não dá para concluir que o café da manhã tem poderes místicos.

Matéria no NYT

PS: Que café da manhã maravilho na foto! Ovos com bacon. E por anos pessoas (eu, inclusive) acreditaram que isto engordava... Acredito que alguns ainda acreditam. 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Os custos dos carros

Todo mundo que acompanha o blog sabe que sou fã da Corrida-Transporte.

Claro que sei também que nem todo mundo consegue praticar.

Alguns tem que usar carros, por fatores diversos.

O que raramente vejo ser abordado são os custos de ter um carro. Vou listar alguns:

  • O preço do carro em si, que no Brasil é considerado alto demais, por conta de impostos e baixa concorrência. 
  • O custo do seguro do carro. É bem arriscado ter um carro (mesmo que simples) e não ter seguro. E se você bate num carro bem caro? E se você se envolve num acidente com vítimas?
  • O preço do combustível. 
  • O preço da manutenção preventiva e corretiva.
  • O preço da atualização do carro. A cada x anos (e este x depende da pessoa) você vai ter que trocar seu carro por um mais novo.
  • O preço do estacionamento para quem, como eu, trabalha em locais que não dispõem de estacionamento ou em que não é possível deixar o carro com segurança na rua.
  • O preço dos impostos (IPVA, DPVAT).
Esqueci algum?

Já vi os itens acima serem abordados até em programas de TV, apesar de isto ser raro. Na matéria uma pessoa entrevistada acabava concluindo que valia mais a pena usar táxi.

O interesse é observar é que alguns dos itens acima variam de acordo com o uso. Por exemplo, quanto mais você usa o carro, mais vai gastar com combustível. Já em outros casos, a variação em relação ao uso é pequena, o que acaba estimulando um pouco o uso do carro para quem já tem um.


Mas tem alguns custos que  não são frequentemente abordados. Eles são:
  • O custo para a saúde de ficar sentado por muito tempo. Ontem mesmo fui buscar minha filha na escola a menos de 5 Km de casa e tive que ficar 30 minutos sentado.
  • O custo de suportar o estresse no trânsito.
  • O tempo produtivo perdido dentro do carro. As únicas coisas úteis que dá para fazer dentro do carro são ouvir música, escutar podcasts e conversar.  Ao menos no ônibus/metrô dá para ler.

PS: Tem um custo que também não é muito considerado: o custo psicológico de batidas e atropelamentos. É raro, mas às vezes quando dirigimos batemos em alguém, ou alguém bate em nós. Ou, pior, atropelamos alguém, mesmo que sem culpa. É um saco lidar com isto.

PS: os comentários do Lucas Arruda são tão pertinentes que vou acrescentar aqui:

Interessante como quase ninguém contabiliza todos esses custos.

Além desses, ainda tem o 2 custos que são mais difíceis de se captar inicialmente:

- Custo de perda do investimento:
é o que você perde para inflação/investimento em termos de dinheiro, caso estivesse com ele aplicado num investimento ou poupança. ex.: supondo que gasta 50mil num carro. Esses 50mil, ao longo de 5 anos, vão virar R$ 67mil (50*1,06^5) numa poupança! Supondo que esse valor é o mesmo da inflação, você na verdade tem a mesma quantia, porém perdeu 17mil em termos de valorização do dinheiro se tiver adquirido o carro, 5 anos atrás. Ou seja, seu 50 mil em 2010 = R$ 67 mil em 2015. Só que gastando esses 50 mil o dinheiro não se corrige, então seu patrimônio desvalorizou 33%!

- Custo da depreciação do carro:
é aí que entra a realidade. Na verdade, seu patrimônio desvalorizou ainda mais. 5 anos depois, o carro de 50mil se vende por 25, 30 mil (as vezes menos!). Supondo 25 mil, na verdade você, além de todos os custos com o carro, você perdeu mais 25 mil. 

Então num carro de 50 mil, você teve perda de patrimônio de R$ 42 mil ou 63% do valor (em termos de dinheiro atual, pois 25 é 37% de 67 em 2015). Lembre-se que hoje, seu dinheiro está em 2015 e você teria R$ 67mil, mas tem só R$ 25mil se liquidar o carro.

Aí no final o gasto fica mais ou menos assim:
( (VALOR COMPRA - VALOR PERDIDO (desvalorização + investimento + inflação)) / NUMERO DE ANOS C/ CARRO ) + VALOR GASTO ANUALMENTE COM CARRO

Obs. 1: Nem chegamos a considerar aqui o gasto com o financiamento, que muita gente faz! Ex.: se financiar e no final você pagou 30mil a mais, quer dizer que tem adicionar esse valor dividido pelo número de anos c/ o carro. 30 mil nos daria um valor de 6 mil a mais por ano, em 5 anos com o carro!

Obs. 2: O preço de atualização não consideramos, porque aí você faz toda a conta de novo, sem considerar o preço do antigo. Ex.: Gastei 50 mil pra comprar, desvalorizou tanto, deixou de render tanto, etc.

-
Outra coisa interessante que você trouxe:
Com o trânsito crescente de BH, eu ficava muito estressado de dirigir. Comutar com ônibus eu não tinha nada desse estresse!
Além de poder ler durante esse tempo (embora gastasse 40min ao invés de 20, tinha quase 1h30 de tempo de leitura / dia).



segunda-feira, 2 de maio de 2016

Longo comentário em Leituras de Segunda-Feira

Leituras de 2A Feira


Achei estranho o estudo do 1 minuto versus 45 minutos. Mas, antes das críticas, achei a ideia ótima.
Acho estranho que o texto pareça ser uma recomendação para treinar um minuto por dia.
O Nassim Nicholas Taleb, por exemplo, “treina” 10-20 horas por semana!!! Claro que as 20h são caminhada, mas ele diz que é essencial para a saúde, então qualifico como treino. E, claro, adiciona treinos de força aqui e ali.
Mark Sisson tem uma recomendação bem superior a um minuto. E posso citar vários outros, sem muita ciência por trás.
A diferença deste texto da Gretchen Reynolds é que tem ciência por trás.
Ela afirma:
“One minute of arduous exercise was comparable in its physiological effects to 45 minutes of gentler sweating.”
Como eles compararam? Que variáveis compararam? Em ciência a gente sabe que a escolha das variáveis é fundamental. Por exemplo, antigamente se comparava dieta vendo o efeito no colesterol total. Hoje sabemos que isto é bobagem.
No caso do artigo, foram apenas duas variáveis:
– the body’s ability to use insulin properly to regulate blood sugar levels.
– how well the muscles functioned at a cellular level.
Muito pouco. Precisariam medir mais para que os resultados me convencessem.
Outra coisa, foram 10 minutos de alta intensidade, e não um. Não entendo esta tara em excluir os minutos de aquecimento, desaquecimento e descanso.
O estudo durou 12 semanas. Doze semanas pode ser muito em relação a outros estudos mas é bem pouco.
E, claro, os participantes do estudo eram pessoas fora de forma.
Dito isto, eu acho que a recomendação de exercício contínuo é mesmo bobagem, apesar de poder ser prazerosa.


Completando: o treino de alta intensidade durou 10 minutos. 1 minuto foi a parte efetivamente em alta intensidade.
===
O texto acima foi comentário ao post da imagem lá em cima.

Também escrevi um segundo comentário:


quinta-feira, 21 de abril de 2016

A verdade sobre maratonas em forma de humor?

A comediante Liz Miele publicou um curto trecho de seu standup em que fala sobre maratonas. Abaixo minha tradução (pode conter erros) e depois o vídeo:

É isso que eu faço no meu tempo livre:  eu corro bastante, eu corro maratonas e não estou me gabando pois não sou boa. Ainda estou terminando minha última (maratona).
Eu tenho corrido maratonas desde que comecei a fazer comédia standup e sempre que você faz algo estranho ou extremo as pessoas sempre assumem que não pode fazer também, o que nem sempre é o caso.
No caso da comédia standup as pessoas dizem "Oh meu Deus, você é uma comediante, eu nunca conseguiria fazer isso." E eu geralmente concordo pois elas são meio chatas. Provavelmente não poderiam.
Mas em relação a maratonas as pessoas não concordam. A pessoa diz: "você corre maratonas, eu nunca conseguiria fazer isso". Eu digo: "Sim, você poderia.". Você só tem que encontrar aquele equilíbrio perfeito de se odiar. E você consegue. Pois é só "cardio" (aeróbico). É só uma quantidade abusiva de cardio e alguns problemas familiares não resolvidos.
Você pode não concordar comigo, mas não acredite que alguém acorda 5 da madrugada num domingo para correr 42 quilômetros no frio porque gostam de si mesmos. Porque você sabe o que pessoas autoconfiantes fazem. Nada! Eles não se justificam ou pedem desculpas. Eles acordam num domingo pela manhã quando querem e comem queijo. Eu já vi.



Imagem do vídeo de Liz Miele. Fiquei sabendo através do Christopher McDougall.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Corridas elitizadas, corrida descalça e corrida-transporte: Jeferson Strujak na Corrida da SMELJ (Primeira Etapa 2016)

Jeferson Strujak


O Jeferson Strujak me escreveu:

"Caro amigo, 

Mais uma prova com os pés no chão e mente sã.

Há algum tempo decidi não pagar mais para correr e só correr as provas gratuitas ou ¨patrocinadas¨.

Porém estou pensando em criar novos parâmetros para participar das provas; eu sou um sujeito que não utilizo automóvel por princípios ideológicos e lógicos, e cada dia que passa as corridas estão ficando mais ¨etilizadas¨.

É a segunda vez que tenho que atravessar a cidade inteira em um sábado para retirar um kit de uma prova da prefeitura em uma loja totalmente fora de mão para a grande maioria das pessoas.

Seguem fotos para a comunidade.

Att.

Jeferson Strujak"


Tem tudo a ver com meus posts anteriores: Entrega de Kits longe demais e Vale a pena correr uma prova de 5K?

Jeferson Strujak

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Vale a pena correr uma prova de 5K?

Corri uma prova de 5K ontem.

Foi uma das provas com inscrição gratuita da Prefeitura de Curitiba.

Gastei aproximadamente uma hora, indo de carro, para ir buscar o kit no sábado.

Gastei aproximadamente uma hora, indo de carro, para ir fazer a prova no domingo.

Tive que acordar bem cedo no domingo. Cheguei umas 6h. A largada foi às 7h.

Terminei a prova em 26 minutos. Tempo demais para uma atividade intensa (minha frequência cardíaca média foi de 171, com pico de 182).

Vale a pena tanto investimento de tempo para fazer uma prova que se conclui em menos de meia hora?

Para somente correr?

Num percurso não aferido para a distância exata anunciada (disseram que foi aferido mas que tinha mais do que 5K - meu GPS registrou 5,5Km).

Para mim, hoje, não vale mais.

Talvez amanhã volte a valer a pena.
Talvez numa prova mais perto de casa valha a pena.
Talvez uma distância menor, mais curta e intensa, valha a pena.
Talvez numa prova curta (uns 3Km) e com obstáculos valha a pena.





sábado, 16 de abril de 2016

Entrega de Kits longe demais

Amanhã devo correr os 5K da primeira etapa de corridas da SMELJ em Curitiba. São corridas gratuitas organizadas pela Prefeitura Municipal de Curitiba. Em primeiro lugar temos que agradecer que neste ano de crise eles ainda mantenham esta iniciativa.

A entrega dos kits aconteceu numa loja que fica no bairro Hugo Lange.

Fica a 28 minutos (de carro!!!) da minha casa.

Por azar eu moro no lado oeste da cidade e a entrega foi no lado leste.

Mas não seria melhor se a entrega fosse num bairro mais central?

Não seria melhor ainda se o kit pudesse ser pego no dia da prova? Afinal de contas o kit é apenas chip e número de peito...

Do jeito que está (entrega num local pouco central), não seria uma prova somente para os que tem carro?




quarta-feira, 30 de março de 2016

Corrida-Transporte

Já escrevi bastante aqui sobre corrida-transporte.

Acho que é uma ótima forma de exercitar-se de forma econômica e ecológica.

Mas nem todo mundo pode praticar a corrida-transporte. Alguns por morarem muito longe do trabalho, outros por não terem um local para se trocar perto do trabalho, etc.

Algumas ideias:

  • Se você mora muito longe do trabalho, como eu, faça apenas um trecho do percurso usando corrida-transporte. Por exemplo, vá correndo até certo lugar e de lá pegue um ônibus.
  • Se você não tem um local para se trocar perto do trabalho, veja se não tem uma academia de musculação onde você possa se trocar. Onde trabalho, a mensalidade da academia é mais barata do que a mensalidade de um estacionamento.
  • Se você tem um horário muito rígido (e cedo) para chegar no trabalho, talvez seja melhor fazer corrida-transporte na volta apenas.
Mais algumas dicas:
  • Corrida-transporte quase sempre é feita com mochila. Aceite que isto vai diminuir o seu ritmo. Não faz sentido correr na mesma velocidade que você correria se estivesse sem mochila. E caminhe sempre que quiser. É infantil nunca querer caminhar. Caminhar e correr são atividades irmãs. Quando uma subida for muito íngreme ou estiver cansado, caminhe. Depois volte a correr.
  • No começo use a mochila que tiver. Mas depois, se você gostar da corrida-transporte, invista numa boa mochila com quatro faixas: duas em volta dos ombros (que toda mochila tem), uma na altura do peito e uma na altura da barriga.   Também é bom se a mochila tiver espaço para a circulação do ar nas costas.
  • Use calçados minimalistas. Não interfira demais com o que já deu certo: o pé humano.


quarta-feira, 16 de março de 2016

Revezamento Entre Parques (25K individual) 2016

Participei neste domingo da Corrida de Revezamento Entre Parques de Curitiba. Foi minha terceira vez nesta prova e minha prova de número 68.

Parque Tanguá, descida.


Em 2013 eu era parte de uma equipe de revezamento com quatro pessoas mas acabei acompanhando os outros colegas da equipe e fazendo a prova toda (na época 23,8Km) descalço.

Em 2014 eu fiz apenas um trecho (do Parque São Lourenço ao Parque Tanguá), o mais curto.

Parque Tanguá, visto de baixo.


Não participei em 2015.  Foi a primeira vez em que a Prefeitura oficializou o que muitos já faziam: a prova toda foi permitida para indivíduos. E o percurso total aumentou para 25Km. O trecho adicionado foi no Parque Tanguá: em vez de chegar lá em cima (onde fica o prédio que é a marca registrada do parque) e sair, agora os corredores agora tem que descer por uma descida "criminosa", ver uma bela vista lá de baixo, e subir de novo (pelo outro lado, a pior subida de todo o percurso).

Corredores tendo que dividir o espaço com carros, ônibus e bicicletas (que eram permitidas nesta prova como apoio).


Em 2016 inscrevi-me para o individal. Não quis ter o trabalho de formar uma equipe.  Mas eu sabia que não estava treinando para fazer tça distância e desde novembro de 2014 não tenho mais tido vontade de fazer treinos longos. Hoje para mim é muito mais divertido correr lentamente por 10 minutos, ficar 20 minutos numa Academia ao Ar Livre, onde faço calistenia, Parkour, MovNat, e depois voltar para casa correndo lentamente de novo. Correr exclusivamente por longo tempo (mais de 1h) parece monótono, parcial, incompleto demais para o Adolfo de 2016.

Parque Barigui
Mais fotos no álbum do Flickr.


Algumas observações sobre a prova para quem quiser fazê-la em 2017:

  • O percurso não é aferido e a largada nem tem tapete de cronometragem. Se você estiver indo pensando em bater recorde pessoal, esqueça.
  • A classificação é por tempo bruto. Se você estiver indo pensando em melhorar sua posição, na hora da largada vá lá para a frente. Se você for desonesto (espero que não seja), nem precisa largar junto com os outros. Pode "largar" perto do Parque São Lourenço mesmo que não vai fazer diferença no seu tempo já que o primeiro tapete de cronometragem é lá.
  • Aconteceram problemas nos pontos de revezamento. Eram muito estreitos e ficaram lotados.
  • Aconteceram problemas na entrega de kits. Filas enormes se formaram em alguns horários. E não gostei que foi no bairro Hugo Lange. Lá é bom para quem tem carro (bastante espaço para estacionar) mas ruim para quem vai de ônibus, pois não é um local central. Da minha casa até lá, por exemplo, dá mais de uma hora de ônibus.
  • Várias outras falhas na organização foram apontadas no PFC News 37, neste post no Papaléguas, neste outro post no Papaléguas, em mais um post no Papaléguas. Ops, teve mais um post no Papaléguas...
  • Os resultados da prova demoraram um pouco (só ficaram completos segunda à noite, salvo engano) mas estão aqui. Ainda faltam as parciais do revezamento...
  • Este ano aconteceram sérios problemas no controle de tráfego. Os corredores tiveram que passar entre carros, ônibus e caminhões em alguns trechos. Não é comum isto em provas da SMELJ. Eles geralmente fazem muito bem este controle. Talvez tenha sido por conta de uma certa manifestação que aconteceu à tarde e retirou policiais e guardas municipais do controle da prova. Veja este vídeo, que mostra o que aconteceu na Av. Anita Garibaldi (até 0:25) e na rua Flávio Dallegrave

Ponto da confusão do vídeo;





quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Comentário em "GPS SEMPRE? NÃO! POR FAVOR, NÃO!"

Escrevi um comentário tão longo em "GPS SEMPRE? NÃO! POR FAVOR, NÃO!", que achei que merecia um post:

“em nenhuma corrida você corre em piso tão regular em velocidade tão constante em linha reta” 

Digo mais, em corridas (de cidade – não se aplica a corridas cross-country ou de trilha) em geral você corre em condições muito facilitadas, que eu não encontro no meu dia-a-dia de corrida-transporte, por exemplo.

Nas corridas a gente corre no asfalto. No dia-a-dia eu corro na calçada.

Quando estive nos EUA, fui visitar o Steve Gangemi, o Sock Doc. Foi uma semana antes da minha participação na Maratona de Nova Iorque.

Ele me chamou para correr um pouco na área verde perto da casa dele. Na maior parte do percurso, fomos pisando em folhas secas (era outono). Em algumas partes tivemos que nos abaixar ou pular para transpor obstáculos.

Eu um momento até tinha que passar por cima de um riacho (que estava seco) através de um tronco. Eu evitei o tronco, fiquei com medo e passei por baixo.

Enfim, tudo isso para dizer que a Maratona da Nova Iorque, assim como toda maratona de rua, foi extremamente simples, em termos de movimentos, comparada com aquele treino de 1 hora.

E olha que foi um treino basicamente de corrida. Poderíamos ter subido em árvores, carregado pedras, mas eu não estava pronto naquele dia e apenas corremos.

Bem, escrevi tudo isso para dizer que sim, correr sempre *baseando-se* no GPS é um absurdo. Eu corro sempre com GPS (um Garmin 405CX bem velho que comprei usado por 20 dólares) mas quase nunca uso aquela informação para modificar meu treino. Apenas uso como registro (gosto de ver no Garmin Connect e no Strava o que aconteceu, por onde passei, como foi minha Frequência Cardíaca).

Ah, uso sim um pouco para modificar o treino: se a FC subir demais eu reduzo o ritmo. Mas isso hoje em dia é muito raro. Eu já tenho noção do ritmo em que gosto de treinar e reduzo a intensidade antes mesmo do frequencímetro avisar.

Eu treino leve, quase sempre (Método Maffetone), pois não quero entrar na zona “black hole”. E quando vou intenso não olho para a FC. Não dá tempo, pois são tiros de alguns segundos.

Correr ouvindo música eu não entendo. Caminhar? OK. Correr ouvindo música é muito perigoso para os treinos que faço, em calçadas, atravessando ruas.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Filósofos do Movimento: Ido Portal e Dan Edwardes

Tenho tomado conhecimento, após a leitura de Natural Born Heroes, de algumas pessoas que vêem o movimento como mais do que mera atividade física.

Ido Portal

Ido Portal

"Calçados com alta tecnologia, pés com baixa tecnologia. Quanto mais caros os brinquedos, mais pobre é o atleta."

"High tech shoes, low tech feet. The more expensive the toys, the cheaper is the mover."

"Se você não foi colocado para fora de uma academia, você realmente não está se movendo direito."

"If you haven’t been thrown out of a gym, you haven’t really moved yet."



Dan Edwardes


Dan Edwardes

"Pare de se testar e você enfraquece. Pare de se adaptar e você começa a morrer."

"Stop testing yourself and you grow weaker. Stop adapting and you start dying."

"Busque o que te deixa com medo. Enfrente o frio, abrace o vento e a chuva."

"Seek out those things that make you afraid. Face the cold, embrace the wind and the rain."

domingo, 31 de janeiro de 2016

Inauguração da sede própria da Academia de Parkour Ponto B em Curitiba

Estive ontem (30/01/2016) na inauguração da sede própria Academia de Parkour Ponto B, aqui em Curitiba-PR.

Participei de uma oficina, com duração aproximada de 15 minutos, coordenada pelo Cassio Junior.

Sinceramente não esperava gostar tanto quanto gostei. Achei que por ser um local fechado acharia chato. Mas a concentração de obstáculos num mesmo local permite um certo fluxo que é mais complicado de obter na rua. E a segurança de uma academia permite treinar movimentos que são bem mais complicados de treinar ao ar livre. Pude fazer a oficina descalço (estava quente demais) .


Depois da oficina filmei um pouco as atividades. Estava lotado! Umas 200 pessoas? Não tenho certeza, mas é possível. Todas as fotos que tirei estão aqui. Fotos melhores no evento no Facebook e na página da Ponto B.

Este vídeo (clique aqui) foi gerado automaticamente pelo Google. O Google Plus também criou uma estória a partir das fotos e vídeos. O vídeo acima (que está no Youtube) fui eu quem editou, mas está bem amador.









Desejo todo o sucesso possível à Ponto B!


 

Descalço, agricultor vence segunda edição da Corrida da Floresta

Não é um vídeo novo, mas precisa ser divulgado! 

São corredores bem originais, autênticos. E não tem medo de asfalto. Correram descalços e venceram.

O nome dele é Daison Rodrigues, de 22 anos, agricultor e morador do município de Mâncio Lima.

Ela se chama Gabriela Silva, de 15 anos, moradora do ramal da Buritirana, comunidade rural de Cruzeiro do Sul.

A corrida que eles venceram foi a Corrida Floresta Viva em Cruzeiro do Sul, no Acre, 2m 2015.



 

sábado, 30 de janeiro de 2016

Movimento Primal e Paleo

Uma coisa que me chateava muito no mundo paleo/primal/lowcarb/LCHF (mas parece que está mudando) era um foco exagerado em HIIT (High Intensity Interval Training - Treino Intervalado de Alta Intensidade). Havia um certo mito, até onde sei sem base científica, de que HIIT é o ideal para quem quer emagrecer e que qualquer outro tipo de atividade é perda de tempo.

Em primeiro lugar acho que nenhuma atividade é perda de tempo. Este foco em eficiência é bobagem e acho até perigoso. Estou falando daqueles comentários do tipo: "4 minutos de HIIT é muito mais efeiciente para queima de gordura do que 1h de corrida". Talvez até mesmo uma caminhada de uma hora de duração seja muito mais benéfica para uma pessoa numa determinada situação do que 4 minutos (estilo Tabata) bem intensos.

Então, que tipo de exercícios as pessoas em quem confio (Maffetone, Steve 'Sock Doc' Gangemi, Mark Cucuzzella, Erwan Le Corre, Nassim Nicholas Taleb, Mark Sisson, Tim Noakes, entre outros) acham que devemos fazer?

- Caminhada: é tão simples mas segundo Taleb é essencial para o ser humano. E as caminhadas, segundo ele, devem ser lentas e longas. Ele costuma fazer reuniões caminhando e conversando.

- Corrida: na maior parte do tempo em velocidade de lenta a moderada. Uma boa dica é seguir a fórmula do Maffetone caso você não saiba o que é lento a moderado para você. Em geral os corredores acham que estão correndo em velocidade moderada mas não estão. Tanto corrida quanto caminhada devem ser praticadas descalço ou usando calçados minimalistas.

- Movimento Natural. Existem várias linhas de movimento natural e a história destas linhas foi muito bem contada pelo Erwan Le Corre aqui e aqui. Erwan é apenas um sistematizador. Talvez o mais famoso hoje em dia, por conta de seu MovNat.

- Parkour, desde que com bastante cuidado, o que chamei de Slow Parkour. Parkour é uma espécie de Movimento Natural na cidade, talvez um pouco apressado e radical demais em alguns casos.

- Treino de força, também conhecido como musculação. De preferência não em academia! Máquinas ditam o nosso movimento e isto não é bom. Mas se você for para a academia para usar os pesos livres, OK. E se você está bem enferrujado, as máquinas podem ser a única alternativa. Foi para isso que elas foram criadas.

- Treino funcional. Alguns professores de Educação Física já dão aulas de treino funcional em parques, praias, etc. Não gosto muito da ideia. Prefiro sempre

- CrossFit. Gosto de alguns aspectos (treinar várias habilidades do corpo), não gosto de outros (um certo foco em competitividade e extremismo).

- Calistenia. É usar o próprio peso do corpo patra fazer movimentos, normalmente de forma lenta, o que torna bem seguro para a maioria.

Esqueci algum? Avise-me nos comentários!

E quanto tempo devo dedicar? Eu atualmente procuro dedicar 30 minutos nos dias úteis e até 1h nos sábados, domingos e feriados. Mas talvez seja pouco. O importante é ouvir o corpo.

E a intensidade? Acho que na maior parte do tempo (80%) deve ser leve a moderada, com pequenos trechos de maior intensidade.

E não é importante apenas o tempo em que você passa se exercitando. A semana tem 7 dias, cada dia tem 24 horas (total: 168 horas) e você acha que o que você faz por 3-10 horas na semana é tão importante assim? Até mesmo saber como ficar parado nas outras horas é importante também! Assista este ótimo vídeo: Sentar é o Novo Fumar, com Pablo Santurbano e Zak Moreira.

Bem, nada do que escrevi acima é uma orientação. É apenas o que estou fazendo a partir de tudo que li. O que você acha?

PS: Alguém comentou que esqueci de mencionar lutas. É verdade. Lutas podem ser bem paleo/primal.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Vanderlei Cordeiro de Lima: destaques da medalha olímpica em 2004

Todo corredor brasileiro conhece a estória da medalha de bronze de Vanderlei Cordeiro de Lima na Maratona das Olimpíadas de Atenas 2004. Se você não conhece, leia na Wikipédia, ou procure no Youtube por "Vanderlei Cordeiro Atenas 2004".

Em 2014 uma TV fez uma ótima matéria sobre a façanha (clique no link para assistir):


Alguns destaques da reportagem:

  • Quando era criança, Vanderlei corria pelas estradas de terra no interior do Paraná. Segundo ele, alguns jogavam pedras. Outros, laranjas. Segundo a mãe, alguns chamavam ele de "doido". A mãe dele tem um delicioso sotaque nordestino.
  • Ele correu sem relógio!
  • Ele sofreu um acidente de moto em janeiro de 2004 e fraturou a clavícula esquerda.  Como ainda precisava garantir a vaga para a Maratona Olímpica, correu e venceu (com tempo de 2:09:39) a Maratona de Hamburgo em 19 de abril! A Maratona Olímpica foi em 29 de agosto. Ou seja, ele teve apenas 4 meses e 10 dias para descanso e treinamento entre as duas maratonas!
  • Existe um Museu da Corrida (site oficial, página no Facebook), em Maratona, Grécia, e agora uma réplica do uniforme que ele vestiu e uma foto dele sendo atacado, ambos autografados, estão em exibição no museu.

A partir da leitura do livro sobre ele, que ainda não terminei, e do livro do Meb Keflezighi (medalha de prata na mesma maratona e que ainda pode vir à Rio 2016), que acabei de ler, acho que Vanderlei teve uma vida mais difícil do que a do Meb. Meb teve um começo de vida bem complicado, mas depois que chegou aos Estados Unidos, com 12 anos, as dificuldades diminuíram bastante. Vanderlei sofreu até à idade adulta. Morou em uma casa dentro da Usina Ester, em Cosmópolis-SP, quando já era corredor profissional. 

Stefano Baldini (o medalhista de ouro e Atenas 2004) e Meb acham que iriam alcançá-lo e ultrapassá-lo (está no livro do Meb). É possível, pois antes do empurrão eles já estavam diminuindo a diferença. Difícil ter certeza. Uma coisa é chegar, outra passar.



Vanderlei de volta ao estádio olímpico em Atenas

Vanderlei dando entrevista logo após a prova em 2004.

Vanderlei no pódio com Meb e Stefano Baldini

Vanderlei Cordeiro de Lima, em 2014, na Grécia
Dona Aurora, mãe de Vanderlei 

A Medalha Pierre de Coubertain, que poucos receberam por seu espírito esportivo

Museu da Corrida em Maratona, Grécia



quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O problema com maratonas de rua


Maratonas (estou me referindo apenas às maratonas de rua -- maratonas em trilha ou montanha são outra estória) são muito planas. E nem estou falando de altimetria. Estou falando de terreno mesmo. A maioria delas acontece em ruas feitas para passar carros, caminhões, motos. Na região em que fiquei nos Estados Unidos, ao menos parte de duas das principais maratonas de lá ocorriam nas greenways. Mas mesmo as greenways de lá eram asfaltadas!

O fato de o terreno ser tão plano obviamente reduz bastante o risco de quedas (imagine uma maratona em calçadas!), mas deixa o movimento bem mais repetitivo. Compare o movimento de um maratonista com o do Erwan Le Corre no vídeo abaixo. Ele muda a passada para se adaptar ao terreno, faz curvas, se abaixa.



Em maratonas você só corre. Alguns até correm e andam (Gallowalk). Mas ainda asssim é muito mais corrida do que caminhada. Acho difícil imaginar uma situação na Natureza em que seja necessário correr ininterruptamente por 42 quilômetros.

Enfim, em maratonas de rua o foco é excessivamente em correr o mais rápido possível por um longo tempo. Maratonas são fragilizantes. E é melhor buscar ser antifrágil. O que você acha?




"Eu conheço pessoas que podem correr maratonas mas não conseguem correr rápido para salvar alguém a menos que calçem...
Posted by Primal and Paleo Fitness Brazil on Tuesday, January 19, 2016


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Slow Parkour

What is #SlowParkour?

I am going to give a name and a preliminary definition to the "sport" that I have been practising, inspired by Natural Born Heroes, the latest book by Christopher McDougall, and by Antifragile, by Nassim Nicholas Taleb. Many other readings, videos, podcasts have inspired me too.

Slow Parkour (it could also be called  Low Impact Parkour) is a mixture of:

- Parkour, of course
- The Mafeetone Method
- MovNat
- Calisthenics
- Primal Movement (by Mark Sisson)

It is Parkour for extremely prudent people. No accidents expected. It can happen, but it should be very rare.

It is a sport that can be practiced by people (men and women) who are 40 years old or even older. 

It consists of:

- Lifting weights (usually your own body as in Calisthenics)
- Climbing, jumping low heights
- Natural movement that uses the brain as well as the body

Some rules:
- You should always warm up before and cool down after exercise sessions.
- You should rest (until it comes below your aerobic threshold) between sets.
- You should do a low number of repetitions. Don't get so tired that you could be an easy victim.
- You should avoid high impact.
- Face fear, but not too much.
- You have to be aware of your environment.
- You have to use fat as fuel. You cannot be extremely hungry at the end of an exercise session.
- You should wear minimalist shoes or, even better, do it barefoot.
- You can do it in Nature, in the city or in a gym, but preferably in Nature.

PS: This is a draft. Any comments? I feel I must include some mention to training for fights (MovNat combative, for instance). 





segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Talento: primeiro episódio da série desvenda os segredos dos corredores quenianos

Ontem começou uma série sobre talento no programa Esporte Espetacular.


Link: http://globoplay.globo.com/v/4729036/


O primeiro episódio foi sobre os corredores quenianos, que dominam com folga os rankings de maratonistas e também vão muito bem em outras distâncias.

A matéria mostrou que nem todo queniano corre e abordou o estímulo que se dá à corrida desde a época de escola. Não deixou claro que algumas crianças usam sim a corrida como meio de transporte, isto é, praticam corrida-transporte.

Mostrou crianças correndo descalças e falhou em não dizer que alguns acham que isto pode ser benéfico para os futuros corredores. Quem treina descalço, por ter maior feedback nos pés, talvez desenvolva uma melhor técnica de corrida.

Foi bem correto ao mostrar que existem vários fatores que podem justificar o sucesso dos quenianos, entre os quais genética ("pernas longas e finas"), pobreza (os prêmios nas corridas, que não se comparam ao de esportes como futebol, representam muito para eles), tradição (ainda que recente), altitude (pulmões mais largos), muito treino, muita competição interna (treinos coletivos).

Errou ao dizer que eles treinam 200Km em alta intensidade, 3 sessões por dia, toda semana. Segundo o livro Running with the Kenyans não é tanto toda semana e não é tudo em alta intensidade. Longe disso. A maior parte dos treinos são em intensidade moderada (numa velocidade que para muitos corredores profissionais seria alta, mas para eles a intensidade é moderada e é isto que importa).

Comentou a questão do doping que vem sujando (um pouco apenas) a imagem do país recentemente.  Parece que o controle lá é muito fraco.

Mencionou a influência de estrangeiros (Gabriele Rosa foi entrevistado). Senti falta do Brother Colm O'Connell, um padre irlandês responsável por vários atletas quenianos entre os quais o fantástico David Rudisha.

Não deu muito destaque à presença dos quenianos no Brasil (que na minha opinião são muitos e acabam prejudicando a formação de nossos atletas) por não estar no foco da matéria.

No geral, uma ótima reportagem.
Link: http://globoplay.globo.com/v/4729036/

PS: Fiquei sabendo desta resportagem através de um Tweet do Sérgio Xavier Filho, que ficou sabendo através do Iberê Dias. Ele depois tuitou o link que passei para ele.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Os problemas da Maratona, sua defesa, e outros links

Já corri 5 maratonas mas não sei se algum dia correrei mais uma. Razões:


  • Você fica acabado após uma maratona. Mesmo profissionais mal conseguem andar nas horas ou dias após a maratona. É muito fragilizante. Acho até mesmo uma má ideia viajar para correr maratona e depois tentar fazer turismo, pois você não está inteiro depois da prova.
  • Dá muito trabalho treinar para uma maratona. A preparação deve começar pelo menos 2 meses antes. Idealmente, 4 meses antes e após pelo menos 2 anos como corredor regular. Deve incluir treinos longos de até 2 horas (um "longão" a cada 2 semanas, em média) e 5 ou mais sessões de treino na semana, incluindo treinos de fortalecimento e educativos.
  • Uma maratona na cidade é algo muito artificial. Você corre num terreno bastante plano (às vezes com subidas e descidas, mas nada como um morro) e praticamente só move as pernas. O movimento é muito repetitivo. Você não pula, salta, se agacha, nada muito diferente. "Só" corre. 
  • O foco nas maratonas de rua é geralmente no tempo que se leva para completá-la. Acho isto também muito artificial.


Ralph Tacconi escreveu, em defesa da Maratona, após eu postar este link no grupo Running/Endurance Paleo Low Carb:

Bom vou expressar minha opinião sobre dois aspectos:

Sobre essa questão de "não evoluímos" para correr longas distâncias. Esse termo é muito usado em universos Páleo e o pessoal que segue e estuda essa linha.
Porém eu faço uma ressalva nessa questão: Essa não evolução se deve ao fato de: não termos evoluído por não sermos capazes ou de não termos evoluído por não ter tido necessidade ?

Podemos pensar que os nossos ancestrais não corriam 40 Kms talvez por não ter necessidade disso e não por não ser capaz. Ao longos dos anos, a nossa espécie talvez não tenha desenvolvido determinadas habilidades simplesmente por não ter utilidade.
Organismos biológicos se adaptam, melhoram e se aperfeiçoam com o tempo e não há nada que comprove que nossos organismos poderiam sim, fazer coisas hoje que não eram capazes de fazer há anos por falta de necessidade.

Isso não é a minha opinião, eu só acho controverso essa história de "nossos acenstrais não evoluiram pra isso". Penso que cabe discussão a respeito.

O segundo aspecto que quero destacar é diretamente ligado a maratona.

Sobre isso, vou dar a minha opinião:
Sei que a maratona me faz mal. Fisicamente. (essa última de Curitiba me deixou muito debilitado realmente).
Concordo com todos os argumentos do Mark Sisson em seu artigo.

Porém, a maratona é algo muito fácil de se apontar como malefício. Os males são físicos, reais, perceptíveis.
E se nós trouxermos isso a outro nível de entendimento? A relação custo-benefício.
A mim, por exemplo posso citar vários aspectos positivos, entre eles:

1 - O treino para a maratona me faz ser saudável. Mantendo atividade física regular.
2 - O desafio que ela proporciona também pode ser salutar.
3 - Um exercício mental muito útil em outros aspectos da sua própria vida.
4 - A euforia de terminá-la.

Existem outros, em menores proporções, mas não vem ao caso.
Sim, você pode dizer: "Ah, mas eu consigo ser saudavel sem precisar correr maratonas" ou então "Tenho outras alternativas para exercício mental". Concordo, mas penso que o conjunto de fatores que vão desde a disciplina nos treinos, até a euforia da conclusão eu só consigo através dela. Sem ela, acho que não reuniria todos esses fatores.

Em outras palavras: Eu sei que a maratona vai me trazer alguns problemas físicos, fisiológicos, porém, o benefício que ela me traz acaba sendo proporcional ou até maior do que esses males.
Alguém pode dizer: "correr maratonas não é saudável". Mas quem consegue ser saudável 100% do tempo ? Ninguém. Você pode encarar maratona como uma espécie de dias do lixo tão comentada nas comunidade de nutrição saudável.

Você pode manter sua alimentção regrada durante a maior parte do tempo, porém, pra viver socialmente adaptado, algumas coisas sempre vão sair do ideal. Uma festinha de criança, um churrasco em família, um jantar comemorativo. Isso é real, ninguém consegue se abster de tudo, pois assim estará abrindo mão de uma vida que também deve ser vivida com outros prazeres.

E esses eventos trazem o mesmo ou até mais malefícios de uma maratona, porém, não são tão perceptíveis assim. Não temos como relativizar um mal que, um estress pancreático causado por uma insulinemia pode ser tão (ou pior) que uma queda de imunidade pós maratona, por exemplo. Ou então, uma crise diarréica (causada por um entupimento de brigadeiros numa festa infantil) pode ser tão ruim (ou pior) quanto dores nas pernas por 3 dias pós maratona. Não sei. Quem pode dizer isso ?

Até onde eu sei, não há danos irreversíveis ao ser correr uma maratona. Como também, não há danos irreversíveis ao ir num rodízio de pizzas.
Eu por exemplo, não vou a um rodízio de pizzas, mas me dá imenso prazer de fazer sobremesas lotadas de açucar quando estou com todos meus filhos reunidos. E quando estou com todos meus filhos juntos ? Esporadicamente, duas vezes por ano. Há mal nisso ? Vou deixar de viver isso ? Definitivamente não.

Portanto, encaro a maratona como o dia do lixo. Duas ou três vezes por ano, me dou esse direito. Judiar um pouco do meu corpo, mas colher os bons frutos que ela me proporciona.

Desculpe se o texto ficou longo.



Paulo Penna escreveu:

Muito bom realmente essa exposição do Ralph Tacconi. Causa uma certa estranheza a forma como o conceito Evolução tem sido utilizado como se fora uma espécie de chancela - ou juiz - para definir o que é saudável e, por detrás disso, o que é recomendável como escolha a ser feita, ensejando, por exemplo, comentários a essa postagem, na página do Paleodiário que flertam com o dogmático. E esse post traz a sensatez e o equilíbrio necessários a questão.

E Roger Paixão completou:

Bom argumento Ralph... eu particularmente acredito q estamos "adaptados" para coisas simples e explosivas... curto demais a visão do Mark Sisson... seu "primal blueprint"... até onde li "em artigos científicos" tudo corrobora nesta direção.

Levar o corpo até o limite é algo q podemos fazer de muitas formas... eu prefiro ñ correr muito... gosto dos tiros rápidos... sou adepto do protocolo SIT há pelo menos 18 meses e estou mto resolvido em termos de saúde...

E acredito q mtos prbls de saúde (sentimento) está relacionado ao uso de calçados... nosso desenho plantar ñ é para o concreto, pista etc... me sinto mto bem fazendo SIT descalço na areia ou na grama...


E você, o que acha?



Exercício é Remédio?


Artigo novo do Dan Lieberman (Harvard):


Is Exercise Really Medicine? An Evolutionary Perspective
"However, there are several lines of evidence that humans evolved to be unique among primates and somewhat unusual among mammals in being especially well adapted for plentiful physical activity dominated by endurance as opposed to power."

Leiam esta parte: em média 31Km e metade andando.

"In the Kalahari, persistence

hunts average 31 km (19 miles), with hunters running only
about half that distance, usually at a moderate pace (23)"





Gostei quando ele diz que não há como estabelecer uma quantidade ideal de exercícios.

Ralph Tacconi:  "Nossa, gostei muito mesmo. Ou seja, fomos evoluídos naturalmente as nos movimentarmos, porém, essa naturalidade tem se perdido ao longo do tempo e cada vez mais atribuímos atividades a formas não naturais."





Retuíte de Tim Noakes em 2013

O prof. Tim Noakes retuitou um tuíte meu.Quer dizer, ele reescreveu e me mencionou:"#Waterlogged makes into top 10...
Posted by Adolfo Neto on Tuesday, January 8, 2013



Periodização do Treinamento e a Corrida Ancestral


Concordo com algumas partes, mas exercício competitivo é natural?

PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO E A CORRIDA ANCESTRALEsse é o primeiro texto da Ancestral Running com posicionamento,...
Posted by Ancestral Running on Tuesday, December 29, 2015

Exercício Natural?

75 yaşlı kişi ağaca belə çıxdı.
Posted by Bizim Yol on Friday, June 27, 2014

Correr nos EUA vs. Correr na Disney

Escutei o podcast Correr na Disney, do Por Falar em Corrida. O programa ficou muito bom. Fiquei um ano nos EUA, a pequena distância da Flórida, e não tive vontade de ir correr na Disney. Depois de escutar o podcast, a vontade diminuiu mais ainda. Por tudo que foi descrito, parece que Orlando é muito diferente do resto dos EUA. E pareceu muito caro e artificial.


Podcast Correr na Disney

Pela descrição que deram, prefiro muito mais a experiência que tive de correr em corridas simples dos EUA.  Fiquei um ano e corri 19 provas nos EUA, de várias distâncias e números de participantes. Desde a maior maratona do mundo, a Maratona da Cidade de Nova Iorque 2014, até parkruns com 5 participantes.

As principais vantagens de correr na região da Carolina do Norte (não posso dizer que se aplica a todo o país):


  • a maioria das corridas é no sábado pela manhã.
  • na maioria dos casos, você pode inscrever-se no dia da prova.
  • a maioria das provas não é lotada. É fácil largar e manter seu ritmo sem se preocupar com tráfego.
  • a maioria das provas não dá medalha de participação.

A única desvantagem é que os preços são em dólar :) Mas relativamente à renda deles não é caro.

Escrevi em mais detalhes sobre vantagens e desvantagens aqui e aqui.

Meus relatos de prova e outros textos sobre meu ano nos EUA estão abaixo:

Vi que não escrevi sobre a minha última prova, NCSU Run.Dance.Glow 5K for Special Olympics, que aconteceu dentro da North Carolina State University. Foi bem divertida e um pouco maior do que a média de outras provas. Como corri sem chip (era de graça para moradores de condomínios da universidade), meu tempo não aparece nos resultados

Também não escrevi sobre a Krispy Kreme Challenge, uma corrida muito estranha, na qual alguns corredores vomitam. Enfim, faltou bastante coisa.

Alguém tem alguma curiosidade específica? Podem perguntar nos comentários.

E, se você pretende correr uma maratona ou meia-maratona nos EUA, recomendo fortemente a Tobacco Road Marathon. É relativamente barata, o percurso é bem plano, o clima ajuda, hotéis na região são baratos, não é uma corrida lotada, e um brasileiro faz parte da organização da prova. 

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