terça-feira, 19 de agosto de 2008

As boas surpresas do Paraná que inova

Obs.: O professor Paulo Cezar Stadzisz (citado na matéria abaixo) ministrará a palestra "Inovação Tecnológica - Caso Esystech" hoje à noite (20h30) no Auditório da UTFPR - Campus Curitiba, como parte da atividades da SEEMPRE - Semana de empregabilidade e empreendedorismo da UTFPR.



Inovação

Hedeson Alves/Gazeta do Povo

Hedeson Alves/Gazeta do Povo / Paulo Cézar Stadzisz, sócio-fundador da paranaense Esystech: tecnologia de ponta e produtos únicos no mercado nacional Paulo Cézar Stadzisz, sócio-fundador da paranaense Esystech: tecnologia de ponta e produtos únicos no mercado nacional
Empreendedorismo

As boas surpresas do Paraná que inova

"Verdadeiros heróis", empresários, estudantes e professores superam barreiras para apostar em produtos e serviços inovadores. Suas histórias de sucesso – algumas delas descritas neste caderno – mostram que o empenho vale a pena

Publicado em 11/08/2008 | Felipe Laufer

Há cinco anos, quatro professores e três estudantes da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) em Curitiba se uniram para criar uma empresa de base tecnológica que desenvolvesse produtos sem similares no mercado nacional. Hoje, a Esystech é a única companhia brasileira a fabricar equipamentos de transmissão de dados para uso aeronáutico, e também a única a desenvolver um sistema operacional para sistemas eletrônicos embarcados. Em Londrina, no Norte do Paraná, a Ângelus investirá até 10% de seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento – a empresa já criou um produto odontológico único no mercado brasileiro, que é exportado para mais de 50 países.

As duas empresas mostram que, apesar do ambiente hostil ao empreendedorismo, da maior taxa de juros do mundo, da falta de apoio governamental e da infra-estrutura precária, há um Brasil que inova. E dentro dele, o Paraná tem posição de destaque. Nas 21 incubadoras de empresas espalhadas pelo estado, centenas de empresários, estudantes e pesquisadores batalham diariamente para transformar suas idéias e projetos em empresas de sucesso.

"São verdadeiros heróis", resume Marcos Mueller Schlemm, consultor sênior no Brasil do Global Entrepreunership Monitor (GEM), um verdadeiro observatório do empreendedorismo em todo o mundo. A pesquisa do GEM no Brasil sobre 2007 mostra que menos de 2% dos empreendimentos que surgem no país são inovadores.

De fato, inovar, aqui, não é tarefa das mais fáceis. Os recursos em linhas de financiamento específicas estão aumentando bastante – só a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do governo federal, tem à disposição um orçamento de R$ 2,5 bilhões este ano –, mas é difícil chegar até eles. E apenas agora começam a surgir, ainda de maneira tímida, fundos de "venture capital" (capital de risco) e a figura do "angel investor" (investidor anjo). Para se ter uma idéia, foi o aporte inicial de US$ 150 mil feito por "investidores anjo" que tornou possível o surgimento da Bematech, empresa paranaense que saiu da Incubadora Tecnológica de Curitiba (Intec), no início dos anos 90, e hoje é líder no segmento de automação comercial no país – e que, só no primeiro semestre deste ano, obteve lucro líquido de R$ 11,2 milhões.

Além do recurso financeiro, para desenvolver produtos inovadores são necessários materiais, laboratórios, pesquisa e conhecimentos que não se encontram em qualquer esquina. Quando estas barreiras são superadas, é preciso enfrentar ainda a falta de capacidade gerencial – idéias brilhantes podem cair por terra por pura incompetência na gestão. "As empresas incubadas já têm pouco recurso, e ainda não sabem gerir bem o pouco que têm", raciocina Paulo Cezar Stadzisz, sócio da Esystech, companhia que precisou de treinamento em gestão durante o período em que esteve na incubadora da UTFPR.

Por isso mesmo, a grande maioria das empresas brasileiras de base tecnológica não nasce sem ajuda. Grande parte delas é tomada pelas mãos ainda criança, quando os produtos que serão desenvolvidos não passam de esboço nas cabeças de um e outro "professor pardal", desses que habitam as universidades. As idéias tomam corpo dentro de pré-incubadoras e incubadoras, que dão oxigênio às empresas em fase de maturação. Nesta fase, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) desempenha também um papel fundamental, com apoio na parte de gestão.

O resultado de uma gestação bem feita é impressionante: a taxa de sucesso de empresas que passaram por incubadoras é de cerca de 90% – um número fabuloso num país em que apenas 50% das empresas sobrevivem após 8 anos de sua fundação, segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No Paraná, são 21 incubadoras numa rede bastante capilarizada. Em 2001 foi criada a Rede Paranaense de Incubadoras (Reparte) e, desde então, a atividade de fomento à inovação cresceu bastante. Desde 2000, foram mais de 700 produtos desenvolvidos, 113 patentes requeridas, quase 300 empregos criados. No primeiro semestre deste ano, o número de empresas incubadas e pré-incubadas era de 166.

A rede paranaense ainda é menor que a de São Paulo ou a do Rio Grande do Sul, mas é exemplo de organização. "Mesmo São Paulo não tem uma rede organizada como no Paraná", garante o professor Silvestre Labiak Júnior, pró-reitor adjunto de Relações Empresariais e Comunitárias da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e diretor da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).


Fonte: Gazeta do Povo

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