terça-feira, 22 de setembro de 2009

O centenário da UTFPR

A promoção de uma cultura que incentive a participação dos docentes em atividades de pesquisa e desenvolvimento deve estar entre as prioridades da UTFPR para a próxima década

Na próxima quarta-feira, 23 de setembro, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) estará celebrando 100 anos de existência como instituição dedicada ao ensino público no estado do Paraná. De uma escola de aprendizes artífices, criada pelo presidente Nilo Peçanha em 1909, a instituição evoluiu para um conceituado centro de educação tecnológica no final da década de 70, tornando-se referência para outros centros similares em todo o país, os chamados Cefets.

A introdução de cursos superiores em seu leque de ofertas, somada à criação de cursos de pós-graduação stricto sensu a partir de 1988, permitiu sua evolução e transformação em universidade. Ao mesmo tempo, de uma instituição com atuação centrada apenas na capital paranaense, viu sua infraestrutura expandir velozmente, contribuindo de forma significativa para a educação profissionalizante e superior em outras regiões do estado. É uma longa história de sucesso e transformação conquistada pelo esforço e dedicação de seus alunos, professores e funcionários. Entretanto, batizada com o nome de universidade tecnológica, a primeira do Brasil, a instituição busca hoje sua nova identidade. Essa busca está, sobretudo, ligada às suas frentes de atuação no ensino superior. Por seu histórico e oferta de cursos superiores de tecnologia, a UTFPR se insere, por um lado, na recém-criada rede federal de educação tecnológica, fruto do reordenamento promovido pelo governo federal das instituições de ensino tecnológico, que transformou os centros de educação tecnológica e as escolas técnicas federais nos institutos federais de educação, ciência e tecnologia (IFETs). Por outro lado, a universidade aderiu ao Reuni, que trata da expansão de vagas no ensino superior das universidades federais promovida também pelo governo Lula. O projeto aprovado no início de 2008 contempla a criação de novos cursos de bacharelado e licenciatura, com a geração de aproximadamente 90 mil vagas para estudantes nos cursos existentes e a serem criados.

Através do Reuni serão contratados até 2012 mais de 650 novos docentes e 200 funcionários, com investimentos de 91 milhões destinados à expansão física e à melhoria da infraestrutura dos campi. Assim, sua adesão ao Reuni implica a ampliação de suas atribuições, focadas atualmente no ensino dito tecnológico. Além das atividades de extensão, que devem envolver ainda mais relações com o setor produtivo, tal expansão passa necessariamente pelo fortalecimento e crescimento de sua pós-graduação e pelo desenvolvimento de ações voltadas para a promoção das atividades de pesquisa, que possam envolver alunos e docentes tanto dos cursos superiores de tecnologia como dos cursos de bacharelado. Para citar uma estatística do desafio a ser enfrentado, de um total de 1.329 docentes no final de 2008, apenas cerca de 10% se dedicavam efetivamente às atividades de pesquisa. Desse modo, a promoção de uma cultura que incentive a participação dos docentes em atividades de P&D deve estar entre as prioridades da UTFPR para a próxima década. Não menos importante é a questão da qualidade de ensino em seus diversos cursos. O índice geral de cursos da instituição (IGC) é um indicador de qualidade de instituições de educação superior que considera, em sua composição, a qualidade dos cursos de graduação e de pós-graduação.

Em estatística recém-divulgada pelo MEC, a UTFPR experimentou uma pequena queda no índice (de 299 em 2007 para 290 em 2008), o que, entretanto, a fez mudar de faixa (de 4 para 3, em uma escala de 1 a 5), colocando-a atrás de algumas universidades privadas do estado. Embora as causas ainda devam ser buscadas e analisadas, tal índice tem suscitado enorme polêmica interna, colocando em cheque a qualidade do ensino público ofertado. Portanto, além dos desafios relativos à pesquisa, a UTFPR deve envidar todos os esforços para elevar novamente seu padrão de qualidade, fazendo novamente jus à fama de que o ensino superior público ainda é digno de nota e não está declinando como ocorreu com o ensino público a nível fundamental e médio, em todo o país, nas últimas décadas. Estes são os desafios a vencer para que a UTFPR possa continuar sendo motivo de orgulho dos paranaenses nos próximos cem anos.

Alexandre de Almeida Prado Pohl, doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade Técnica de Braunschweig, Alemanha, e pós-doutor pela Universidade de Sydney, Austrália, é professor da UTFPR.


Fonte: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/opiniao/conteudo.phtml?tl=1&id=926196&tit=O-centenario-da-UTFPR-

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