sexta-feira, 6 de julho de 2012

Teste da Pisada: A Fraude

Minha primeira participação em uma corrida (dessas organizadas, com kit, medalha e taxa de inscrição) aconteceu em 4 de setembro de 2011, em Curitiba. Foi uma corrida do Circuito das Estações, patrocinada por uma conhecida marca de material esportivo fundada pelo meu xará Adolf "Adi" Dassler.

Participei nos 5K. Foi uma boa corrida. Clima bom, nem muito frio, nem muito quente. Um pouco lotada demais para o meu gosto. Mas não é disso que quero falar aqui.

Na entrega dos kits daquela corrida fiz uma das muitas variações do "famoso" Teste da Pisada. Foi uma das variações mais simples: eu tinha que, descalço, pisar numa placa no chão correndo lentamente (dei uns três passos até chegar à placa). Depois disso, o computador gerou uma imagem parecida com esta:

E a atendente disse que minha pisada era normal.

Estou lendo Tread Lightly:


No livro (Capítulo 6: Pronate Nation) está bem explicado que não existem evidências científicas para esse teste¹. Ou seja, exagerando um pouco na linguagem (mas não no conteúdo), o teste é uma farsa, uma fraude.

Deixando ainda mais claro: todo teste de pisada é uma fraude (não apenas aquele que eu fiz). 

O que você acha disso?



NOTAS

1. Principalmente para esta versão simplificada que eu fiz - se um fisioterapeuta te avaliar vendo um vídeo da sua corrida em câmera lenta, é outra situação. Mas mesmo neste caso, não existem evidências científicas de que o teste funcione como sugestão de modelo de tênis de corrida.

24 comentários:

  1. Esse teste realmente me parece impreciso. Mas a gente ouve falar de muita coisa sobre tipos de tênis, pisada, arco do pé, etc. Não sei até que ponto essa complicação toda ajuda na corrida ou para evitar lesões. Quando eu treinava semi-profissionalmente há uns 25 anos atrás, não havia nada disso... E não sei se as lesões eram mais ou menos frequentes...

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    1. Eugênio, Isso mesmo. O importante é: ninguém sabe se funciona. Então porque indicar modelos de tênis baseado num teste que não se sabe se funciona?

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  2. Boa discussão Adolfo, até porque hoje em dia só se fala em correr descalço, tênis minimalista etc e creio que não tem como considerar pisada nesse caso pois se o camarada corre descalço ele vai trocar o pés ou mandar asfaltar a rua? hehehe eu na verdade estou na busca de um tênis leve para provas, mas continuo com os de maior amortecimento para treinos e rodagens.
    Abraço
    Diego
    http://correrparacrer.wordpress.com

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    1. Diego, obrigado pelo comentário.

      Eu corro descalço às vezes. É muito bom para quem tem paciência e cuidado. Quando não vou descalço, vou com algo sem amortecimento (Huarache, Vibram Five Fingers, Topper Anderson Canvas). Até agora, nenhum problema sério.

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  3. Quando não sabem dizem que a pisada é normal.

    Fiz um mega teste para poder fazer umas palmilhas e deu normal de um lado e pronado do outro. Fiz as palmilhas e não rolou!

    Por outro lado cada vez que faço o teste dá um resultado diferente...

    Affff!

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    1. Dona D, obrigado pelo comentário.

      O teste não é cientificamente válido. Portanto, melhor experimentar com calçados (ou descalço). O autor do livro sugere que você só compre tênis em lojas que te permitem fazer um test-drive, isto é, dar um corridinha no quarteirão. Um tênis que fica bem para andar nem sempre é agradável para correr. E vice-versa.

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  4. essa conversa é pra boi dormi...existe sim comprovações cietificas e ate artigos a respeito do baropodometro.. é só pesquisar melhor..

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    1. Pesquisei no isiknowledge.com e não encontrei nenhum artigo com os termos "baropodometry" ou "baropodometer" que tivesse alguma conclusão relacionada a corredores ou escolha de tênis.

      Portanto, a menos que você indique algum artigo confiável, continua sendo uma fraude.

      O exame pode ter alguma utilidade em outra área, mas não em corrida.

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  5. Que os tipos de pisadas e os tipos de tênis diferente existem isso é fato. Seguindo sua última publicação te faço uma pergunta. Por que os exames podem servir para outras áreas e/ou desporto e não para a corrida? Sou amante da corrida e há um tempo atrás resolvir fazer os teste para diagnosticar o tipo da minha pisada, pois vinha sofrendo com dores. Fazia meus 5km para 20 minutos e depois que fiz o teste e mudei meu tênis e comecei a usar palminhas esportivas meu tempo dos 5km caiu para a casa dos 18 minutos. Isso foi por causa só do tênis? Não sei, mas tive como treinar mais forte porque não sentia mais dores, melhorei minha eficiência na corrida, a mecânica e meu desgaste (o que contribuiu para diminuir meu tempo). Se temos pesquisa científica ou não, não sei. Mas nem tudo na vida tem que ser em cima de pesquisa científca, pois existe uma palavra que devemos levar o bom senso. Nosso corpo humano não é uma equação perfeita e uma das coisas que aprendir ao longo desses anos treinando foi o primeiro princípio do treinamento: individualidade biológica. Será que existe diferença entre: (qual a metade de 2 mais 2 e a metade de 2, mais 2)?
    Sei que como um bom leitor vai ler essa matéria:
    http://www.liferun.com.br/dicas-e-noticias/palmilhas-posturais-e-baropodometria-voce-ja-olhou-para-os-seus-pes-hoje.html#.USkMdnTezt0.facebook
    Fico no aguardo.

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    1. Os trabalhos relatados no livro que citei foram suficientes para atribuir casos como seu ao acaso.

      Obrigado pelo comentário.

      Vou ler o texto depois.

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    2. Sobre a pergunta:
      "Por que os exames podem servir para outras áreas e/ou desporto e não para a corrida?"

      Porque outras áreas talvez se satisfaçam com um exame que fornece informações apenas de um instante. Não estou dizendo que é útil. Estou dizendo que pode ser útil.

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    3. Sobre o texto do link http://www.liferun.com.br/dicas-e-noticias/palmilhas-posturais-e-baropodometria-voce-ja-olhou-para-os-seus-pes-hoje.html#.USkMdnTezt0.facebook, acredito que os especialistas que conheço e nos quais confio (Steven Gangemi, principalmente) consideram um grande erro o uso de órteses/palmilhas.

      Ele até escreveu recentemente:
      If you really think you’re that special “exception” and truly need orthotics then maybe you’ll benefit from a wheelchair one day too when more of your body breaks down.

      Tradução:
      Se você realmente acha que você é aquela "exceção" especial e realmente precisa de órteses/palmilhas, então talvez você irá se beneficiar de uma cadeira de rodas um dia também quando mais do seu corpo se quebrar.

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  6. Meu caso não pode ser atribuido ao acaso, visto que existem outros casos assim. Porém não foi citado aqui em seu blog e/ou não foram estudado e colocado com acesso para profissionais e leitores.

    Sua resposta não responde minha pergunta sobre a diferença de outros desporto em relação a corrida:
    "Porque outras áreas talvez se satisfaçam com um exame que fornece informações apenas de um instante. Não estou dizendo que é útil. Estou dizendo que pode ser útil. "

    Sobre os especialista que conhece e confia no meu ponto de vista não faz muito sentido sua colocação:
    "Se você realmente acha que você é aquela "exceção" especial e realmente precisa de órteses/palmilhas, então talvez você irá se beneficiar de uma cadeira de rodas um dia também quando mais do seu corpo se quebrar."

    Uma coisa não justifica a outra. Depois tenta fazer uma pesquisa sobre a matéria que passou hoje no Fantástico sobre um pesquisa que está sendo desenvolvida por um brasileiro nos EUA para fazer pessoas com paraplegia andar e o primeiro caso vai ser na Copa de 2014.

    Olha essa matéria e me fala sua posição: http://www.ativo.com/Esportes/Pages/tenis_altera_tipo_de_pisada_de_jovens.aspx

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    1. Olá,

      uma coleção de casos pode motivar um estudo mas não prova nada. Assim funciona a Ciência.

      A corrida é um esporte em que o tocar com o pé no chão é uma pequena parte de todo o movimento. Talvez para a Ioga ou a caminhada o exame seja suficiente.

      A afirmação é do Sock Doc. Acho que é verdade, mas é só uma frase de efeito, não um artigo científico. Você tem todo o direito de não concordar.

      Conheço o trabalho do Miguel Nicolelis. E acho fantástico!

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    2. Sobre o link, concordo totalmente! Parece fazer todo o sentido!

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  7. Olá Adolfo, quero comprar meu primeiro tênis depois de muito tempo de sedentarismo para poder iniciar a atividade física, mas depois de ler tanta coisa, não só aqui, eu estou em dúvida, não sei qual compro. Alguma ajuda?

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    1. Minha sugestão é que você compre um tênis minimalista e comece aos poucos. Compre algo que permita que você sinta o chão e deixe o pé confortável (espaço para os dedos é fundamental).

      Veja opções aqui: http://www.corridanatural.com.br/tenis-drop-cia/

      E também caminhe descalço em locais seguros por um tempo, para fortalecer o pé.

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    2. Obrigada pela ajuda Adolfo.

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  10. Comentário de gente que não tem coragem de colocar o nome e xinga será excluído...

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  11. Nao te xinguei em momento nenhum...vc sim esta sendo covarde e chamando profissional de criminoso..olhe o tema q vc comoca..." fraude q todo teste da pisada é uma farsa..." como eu disse e vc apagou o comentario..vc nao sabe como funciona o exame e tira suas conclusões por um profissional incompetente. .pena! Pq se eu tirasse conclusões de um Ed.Fisco c algumas referencias q vejo por ai e em comentarios inúteis e sem fundamentos..mas sei q tem muitos e muitos bons profissionais..so falei q é preciso conhecer o q nao é de sua competência p vc poder criticar e existem varios artigos comprovando a competencia do exame....mas p saber procurar primeiro é preciso saber o q procurar...mas entendo vc.

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    1. Bem, você escreveu "Não venha falar besteiras."
      E todo o tom do comentário anterior foi agressivo.
      Mas OK, a pergunta que faço é: você leu o que eu escrevi? Leu o capítulo do livro?

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  12. Boa tarde, lamento que pessoas entrem em conflitos acerca de assunto de extremo interesse para tantas pessoas, de uma forma tão mediocre das partes. Esse anonimo deveria ser bloqueado,pois não tem coragem de assumir sua identidade! será que defende algum interesse com essa defesa? e se defende não vejo nada de mais nisso, desde quando tenha coragem de se identificar e apresentar uma defesa plausível e contundente

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