quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Os corredores de hoje são mais lentos. E daí?

De vez em quando aparece num blog de algum corredor ou numa matéria em alguma revista a reclamação de que nas corridas de hoje os corredores são bem mais lentos do que antigamente (10-20 anos atrás). É verdade.



Tem matéria sobre Paleo/Lowcarb na Runner's deste mês.

Mas até que ponto isto é relevante? Que importa e a quem importa que os corredores de hoje são mais lentos?

Mas não é isso que quero discutir aqui hoje.

A minha questão número 1 é: os corredores de antigamente tinham saúde? Eu conheço (pessoalmente e/ou por meio virtual) alguns corredores "das antigas" que vivem lesionados, com dores. Alguns até deixaram de correr. Outros tiveram que passar por cirurgias. De que adianta ser rápido e não ter saúde?

Claro, alguns sobreviveram e estão até hoje nas corridas, ganhando troféus na faixa etária. Mas, como bem explica Nassim Taleb, a gente precisa sempre olhar para o cemitério (de evidências). Não adianta olhar apenas para os que deram certo. Se, de 1000, morrerem 999 e um sobreviver, não quer dizer que este 1 fez tudo certo. Ele pode apenas ter tido sorte.

O problema mais importante para mim não é que nas corridas de 10K da Adidas (só para dar um exemplo de uma corrida bem popular) a maioria dos corredores não está tentando ir o mais rápido que pode. O problema maior é que os que estão buscando saúde provavelmente não estão encontrando. De que adianta correr e depois se entupir de açúcar (presente nos isotônicos, por exemplo), de trigo (pizzas, bolos, etc.), de carboidratos refinados? A conta vai chegar, mais cedo ou mais tarde.

Aconteceu comigo. Logo que comecei a correr meu apetite aumentou bastante e passei a consumir muito mais açúcar do que antes (porque eu achava que podia, já que estava correndo). Tem bastante corredor por aí (nas provas) com excesso de peso e/ou de gordura corporal. Sem contar os problemas que não são visíveis a olho nu (no meu caso eram as dores de cabeça). E, na minha opinião, a solução não é correr mais. A solução é comer bem, é comer comida de verdade (veja aqui como).

9 comentários:

  1. Show de post Adolfo.
    Há algum tempo tenho pensado nisso também, na saúde e na alegria.
    Tenho mais cuidado com a alimentação e sei que preciso elhorar ainda mais.
    Parabéns!

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    1. Obrigado!
      Alegria você tem de sobra Luiz!

      Abraços,
      Adolfo

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  2. Perfeito.
    Essa antiga rapidez serve para que?
    Para ter um monte de ex-corredor?
    Prefiro ir devagar mesmo.

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    1. Andre, mas a questão nem é essa. É possível sem lento e não ligar para a saúde. Também vejo estes casos.

      Abraços,
      Adolfo

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  3. Ótimo ponto de vista Adolfo,
    Estou aos poucos investindo num estilo de vida low-carb e já começo a perceber algumas melhoras. Agora, com relação à "corrida por performance", acho muito relativo. Houve uma época em que corria umas prova atrás da outra buscando melhorar tempo. Hoje mudei um pouco o foco, a maioria das provas que participo são mais em busca da diversão com os amigos, e geralmente como parte do treinamento. Porém, contínuo com metas de tempo e/ou distâncias, mas essas são geralmente em provas específicas onde o resultado depende muito mais do treinamento.
    Valeu pelo post, me pôs a pensar.
    Abçs

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    1. Danilo,

      Acho que correr para baixar tempo pode ser uma excelente motivação. Eu tenho metas de tempo. Só não pode ser mais importante do que manter a saúde.

      Abraços,
      Adolfo

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  4. Ótimas observações. Coincidentemente tb estou com uma matéria "e daí?" para ser lançada, mas sobre outro tema, e daquele meu jeitinho...

    Realmente, de quê adianta ter uma carreira meteórica? Ainda mais em um país onde ser atleta não é profissão.

    Sobre a alimentação, uma vez uma amiga postou uma foto em rede social com a frase: porque sua dieta não funciona (acho que era isso), e logo abaixo as fotos de produtos "integrais", repositores, a famosa barrinha de cereal, entre outros, com seus respectivos valores calóricos. Dietas de moda, mas que não funcionam.

    Muito interessante!

    E gostei muito do "e daí?". Logo mais um "e daí" polêmico. Mas a culpa é de Woody Allen, que me influenciou, rsss.

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    1. Daniel,

      Eu li o seu post e me fez pensar. Minha tendência inicial foi achar que o cara era um completo idiota.

      Abraços,
      Adolfo

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