quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Mais um relato do Encontro Ágil 2008: "Acabou que fomos ao Encontro Ágil 2008", por Willi

Conseguimos! Chegamos em São Paulo sãos e salvos e ao Encontro Ágil 2008, que rolou no IME. Só conseguimos andar aqui graças a um GPS emprestado do Léo, amigo do Bruno, claro.

Logo na chegada, eu e o Bruno nos espantamos com a quantidade de gente que estava participando. Tinha uma fila que ia até a parte de fora do IME. Parece que foram umas 700 pessoas. Ficamos felizes em ver como o "movimento" está forte por aqui. E não é à toa. O pessoal tem feito um trabalho de divulgação aqui desde 2001, com a chegada do professor Fábio Kon de um mestrado feito nos EUA.

 

As melhores partes foram os debates sobre Agile x Capacitações (CMMI, MPS.Br), Agile x Certificações e o "Birds of Feather" que participei sobre Scrum, que acabou sendo sobre "Como vender Agile". Descrevo-os em seguida. Para saber das palestras, visitem o site da AgilCoop, onde publicarão os slides, fotos e filmes, ou este post aqui. O Autor foi nas mesmas apresentações que a gente.

Nos debates, não houve debate na verdade. Não tinha ninguém a favor de certificações ou de modelos de maturidade. Parece que o povo não veio. Por que será?


Na verdade, os modelos de maturidade certificam que você faz direitinho o processo que se propõe, com a premissa de que um processo maduro gera um bom produto. Mas isso não é necessariamente verdadeiro sempre. Se você se propõe a fazer um processo inadequado e fizer ele direito, sairá certificado, mas seu produto pode não sair direito. Isso não garante a qualidade do produto.

Porém, uma reflexão interessante que surgiu foi : "Se isso é tão ruim, não vale nada, por que os gestores de tantas organizações continuam pedindo?". As respostas não foram conclusivas. Na minha opinião, é uma mistura de proteção dos contratantes com jogos de interesses.

Proteção para os gestores poderem dizer, depois de dar problema no projeto, que trataram todos os riscos, tomaram todas as precauções, as empresas eram certificadas, capacitadas e etc. Há a crença de que esses certificados trazem confiança, pois são emitidos por entidades sérias, imparciais e por aí vai. (Vejam que o pensamento é de precaução - se preparando pro pior, não de colaboração!).
Jogo de interesse pois gente das próprias empresas que investiram nesses selos, "influenciam" os gestores para que as incluam como critérios de seleção, para que as empresas tenham vantagem. Os gestores não tiraram isso do nada.

No Birds of Feather, que foi a parte mais legal, estava presente o Juan Bernabó, da Teamware, quem eu vi fazendo a primeira palestra de Scrum em Brasília. Ele me reconheceu pelo agile tales! :) Também tinha um pessoal da Paggo, que acabamos visitando e conhecendo melhor depois (escreveremos sobre isso em breve - muito legal!), e de outras empresas e faculdades.
Discutimos venda de softwares usando agile. A grande falácia é que existe escopo de sistema fechado. O escopo do sistema muito raramente é fechado. As especificações vêm em alto nível e crescem "pra dentro". Logo, vender isso é pedir pra ter problemas na certa! O contrato mais honesto para as duas partes seria o de escopo aberto, mas já que é considerado arriscado demais, o ideal é encontrar outra medida para mensurar o escopo da venda, como pontos por função ou pontos por caso de uso. Preferimos pontos por caso de uso por usarmos modelos mais próximos de estórias, logo, mais visíveis para o cliente.

Outra falácia é que você pode convencer alguém de alguma coisa, e isso não existe (assim como venda, ensino, etc – longa história…). As pessoas que se convencem. Logo, paremos de dar soco em ponta de faca. No longo prazo a verdade aparece. "Deixa estar."

Sobre certificação, a grande questão que ficou entre nós (pois isso não foi discutido no debate), foi de natureza ética. Alguns têm vendido certificações, aproveitando uma demanda do mercado, sem mesmo acreditar no valor delas. (Hate the game, not the players). Certificações não querem dizer que a pessoa é boa, mas que passou numa prova. Só.

Será que não deveríamos investir também na conscientização dessas pessoas sobre o real valor do que estão procurando?

Pra finalizar, 3 outras coisas legais: conhecer as pessoas da comunidade, a comida do evento e um mural para retrospectiva, onde todo mundo colocou o que foi legal e o que poderia melhorar.

 

 Jorge Diz, Ricardo Almeida e Bruno.

O Mural da Retrospectiva.

 

[]s Willi

Fonte: http://blog.seatecnologia.com.br/articles/2008/10/14/acabou-que-fomos-ao-encontro-%C3%81gil-2008

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