sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Foco competitivo

Fonte: https://www.voicesforinnovation.org/News/VFI/2009/February/Foco%20competitivo.aspx

fev 10, 2009

"O Brasil precisa de uma estratégia mais agressiva de promoção de suas capacidades em desenvolvimento de software no mercado internacional". Essa é a opinião de Felipe Matos, sócio-diretor do Instituto Inovação. Para ele, o país deve aproveitar os segmentos em que é competitivo, como o financeiro, de jogos e de aplicações móveis para crescer cada vez mais no mercado de Tecnologia da Informação (TI).

Nesta entrevista, Matos fala ainda que as incubadoras exercem importante papel para as empresas em fase inicial, no que se diz respeito à sua sobrevivência. Segundo o executivo, a chance de continuidade do negócio é duas vezes maior quando empreendimentos nascem a partir de companhias de base tecnológica.

Um estudo da Business Software Alliance (BSA) mostra que o país continua na 43ª posição no ranking das 66 nações que oferecem os melhores ambientes de suporte às empresas de Tecnologia da Informação (TI). Por que o Brasil não avançou nesse cenário?

Não se trata de não avançarmos. Estamos avançando, porém, nossos competidores internacionais não ficam parados. Eles progridem no mesmo ritmo, mantendo o distanciamento entre nós. Trata-se da síndrome da rainha vermelha. No filme Alice no País das Maravilhas, a rainha diz: "aqui neste país, Alice, você precisa correr o máximo que puder para permanecer no lugar". É a situação em que nos encontramos. Se quisermos diminuir as diferenças em relação às nações desenvolvidas precisamos aumentar o uso da Tecnologia da Informação (TI) em um ritmo ainda mais acelerado que nossos vizinhos. A boa notícia é que existe um grande espaço para o aumento do nível de informatização e da adoção de tecnologias no Brasil, especialmente no segmento das micro e pequenas empresas.

Estimativas da Sociedade Brasileira para Promoção da Exportação de Software (Softex) apontam que o país exporta US$ 800 milhões em software. Qual deve ser a estratégia adotada pelo governo e pelas empresas para que esse número aumente?

As dimensões continentais do Brasil são uma oportunidade, mas também um desafio para os empreendedores. Muitas vezes, esquecemos que existe um mercado enorme lá fora. Não existe fórmula do sucesso. Entretanto, se olharmos para experiências bem-sucedidas da Coréia e, mais recentemente, da Índia, percebemos alguns componentes importantes. Investimento em ciência e na qualificação dos recursos humanos, incentivos fiscais e de fomento às empresas exportadoras e propaganda do país lá fora. A Índia foi – e vem sendo – extremamente agressiva no offshore de baixo custo mundial. O Brasil precisa de uma estratégia mais agressiva de promoção de suas capacidades em desenvolvimento de software internacionalmente, aproveitando os segmentos em que é competitivo, como financeiro, jogos e aplicações para celulares.

Qual é o fator chave para o desenvolvimento do segmento de tecnologia no Brasil?

Países que conseguiram pavimentar bem a ponte entre universidades e empresas tiveram e ainda têm obtido resultados positivos. Basta ver o exemplo de companhias como Google, Yahoo! e Microsoft, que surgiram a partir de projetos de pesquisa em universidades americanas. Elas ajudaram a criar uma indústria próspera no Vale do Silício. É claro que a realidade brasileira é diferente. Precisamos aproximar mais essas duas realidades. O governo tem feito um bom trabalho nos últimos dez anos, aumentando de forma expressiva os recursos de fomento a pesquisas aplicadas, capazes de gerar inovação. Em paralelo, foram criadas a Lei de Inovação e a Lei do Bem, que dão incentivos para que empresas invistam mais em pesquisa. A indústria do capital de risco também vem crescendo, com o surgimento recente de diversos fundos que investem em empresas nascentes, oriundas de centros de pesquisa, como o Fundo Criatec. Está ainda em voga – e precisamos praticar – o conceito de open innovation, que prega que as companhias devem abrir suas portas para internalizar inovações desenvolvidas externamente, fazendo parcerias com universidades e outras empresas.

Qual a sua opinião sobre as incubadoras de empresas brasileiras? Elas estão conseguindo transferir tecnologia?

As incubadoras possuem um papel importante, de aumentar as chances de sobrevivência das empresas nos primeiros estágios. Elas já estão demonstrando que a taxa de sobrevivência dos negócios em incubadoras é duas vezes maior que a daquelas criadas fora desse ambiente. Entretanto, esse modelo deve ser aprimorado. Isso porque, há incubadoras que acabam atuando como meras fornecedoras de espaço físico aos empreendedores, perdendo a sua essência, que é apoiá-los, por meio de aconselhamento na gestão e entendimento do negócio. Existe um desafio que é tornar estas instituições autosustentáveis, exigindo a criação de modelos de negócios diferenciados, como a participação no resultado futuro das companhias incubadas.


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