terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O Twitter e a notícia em primeira mão, por Ruy de Queiroz


Saiu n'O Globo Online: "O Twitter e a Notícia em Primeira Mão".

(Mais artigos no blog Cibersegurança e O Domínio Público.)

Ruy
---TECNOLOGIA

O Twitter e a notícia em primeira mão

Artigo do leitor Ruy José Guerra B. de Queiroz

Recentes eventos de grande repercussão, como o último grande terremoto na China, os tremores de menor intensidade em torno de Los Angeles, a queda do airbus no Rio Hudson, e até o referendo na Bolívia, têm posto em cheque o conceito atual de "breaking news" (notícias em primeira mão), além de motivado o uso do termo "web de tempo real", e direcionado as atenções dos blogueiros e colunistas de tecnologia para um serviço inovador de mensagem instantânea: o Twitter, uma "startup" (empresa jovem de inovação tecnológica) baseada em San Francisco, fundada em julho de 2006, que administra uma rede social e serviço de mensagem instantânea que permite ao usuário enviar "mensagens de atualização" (as chamadas "tweets", termo em inglês para se referir ao grito curto e agudo de um pássaro), limitadas a no máximo 140 caracteres. Todos os eventos supracitados foram noticiados em primeira mão através da Twitter, deixando a CNN e outras megacorporações de notícias a ver navios.

Segundo o blogueiro Om Malik (do portal GigaOm), o Twitter, tal qual o Facebook, está na crista da onda da "web de tempo real", levando alguns entusiastas ao extremo e considerá-la a nova ameaça à dominação da Google. Graças à proliferação dos dispositivos pessoais de acesso à internet, celulares equipados com câmeras digitais e outros "gizmos" (termo em inglês usado para designar "aparelhos", "dispositivos"), mais e mais pessoas se engajam em atividades de expressão online compartilhando fotos, videos, e, é claro, enviando tweets.

Quase 150 milhões de pessoas usam a rede social Facebook como um repositório de suas vidas sociais digitais, utilizando o serviço para transmitir as informações a seus amigos e família (ou até a desconhecidos). Enquanto o sistema da Facebook é fechado, startup's como o Twitter e a menos conhecida FriendFeed têm uma oportunidade de criar ambientes mais ecléticos que combinem o que há de melhor na rede. Twitter tem a chance de ajudar a fomentar um ecossistema mais democrático no qual serviços de múltiplos alimentadores de tweets podem se basear na platforma. Um bom exemplo seria o "Twitpic", que permite que se compartilhe fotos com amigos, e tem tido enorme (há quem diga "de quebrar o pescoço") crescimento no seu tráfego nos últimos meses.

Com mais aplicativos adicionados, o Twitter deverá estimular ainda mais tal conteúdo de tempo real. É de se esperar que o fluxo de dados causado por esse conteúdo de tempo real deverá demandar uma metodologia de busca que possa ajuda a acrescentar contexto a essa informação, e, ciente disso, o Twitter adquiriu, em julho passado, o engenho de busca Summize.

Confiantes com a valorização da empresa, seus fundadores (liderados por Evan Williams, que não faz muito tempo vendeu o Blogger à Google) recentemente recusaram uma oferta de meio bilhão de dólares da Facebook (a maior parte disso em participação na sociedade), e comenta-se que levantaram US$ 20 milhões em mais uma rodada de capital de aventura (em inglês "venture capital", mais conhecido como "capital de risco") com base numa avaliação de US$ 250 milhões de valor de mercado.

Observa-se também que o serviço do Twitter está atraindo cada vez mais grandes corporações que buscam tentar a mídia social como meio de melhorar os serviços ao cliente, bem como a imagem de suas marcas. Por exemplo, a rede de cafeterias Starbucks usa tweets para divulgar ofertas especiais e informações nutricionais de seus produtos; o portal de comércio eletrônico Zappos, assim como a empresa de TV a cabo Comcast, e a Southwest Airlines, todas fazem uso do Twitter para chegarem mais próximos à clientela. Recentemente, até o Bank of America tornou-se um desses usuários corporativos ilustres, e usa seu fluxo de tweets como um "serviço de atendimento ao cliente ao vivo", porém com consultas e respostas feitas em público e limitadas a 140 caracteres no máximo.

Com tudo isso, mesmo quem escreve muito sobre o Twitter acha difícil explicar exatamente do que se trata. Em recente artigo no portal AllThingsDigital, Peter Kafka confessa que é um desses, e diz que, se servir de consolo, até o "New York Times" está tentando entender: o gigante da mídia, que anda cambaleante devido à queda de receita proveniente de anunciantes, tem promovido palestras aos seus funcionários sobre o serviço do Twitter, disponibilizando publicamente o conteúdo das apresentações.

Em destaque algumas observações do apresentador na última palestra: "As pessoas que atacam o Twitter por ser mundano e banal estão perdendo de enxergar o ponto principal. É mundano, mas o mesmo acontece com a maior parte de nossas conversas durante o dia. (.) O estúpido e o trivial são a cola social da conversação. (.) Twitter é estúpido, mas é o tipo certo do estúpido."

No final das contas, é como se o papo direto e corriqueiro fosse transportado para o espaço cibernético.

Ruy José Guerra B. de Queiroz é professor associado do Centro de Informática da UFPE




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