segunda-feira, 26 de maio de 2008

Games proibidos continuam disponíveis em camelôs e lan houses

Três jogos de vídeogame estão proibidos no Brasil. Para a Justiça, eles fazem apologia ao crime. Há quem condene. Mas há, também, quem defenda esses jogos.


A mercadoria em uma feira no Rio de Janeiro não é droga, mas também é ilegal.

Repórter: É difícil encontrar esse?
Vendedor: É, porque é proibido.
Repórter: Como é esse jogo?
Vendedor: Esse é de tiro, igual a de Lan House.
Repórter: É muito violento?
Vendedor: Normal, de tiro, normal.

Normal? Vence quem matar mais e, em uma adaptação nacional, pirata, como todas as vendidas na feira, ganhou cenários de favelas no Rio e das ruas de São Paulo. Em outro jogo, ganha pontos quem bater mais, humilhar os colegas.

"Nós do Ministério Público estamos plenamente convencidos de que não se trata de um produto lícito", afirma Alexandre Lippi João, da Promotoria de Defesa do Consumidor/RS.

Três games extremamente populares e extremamente violentos estão proibidos no Brasil e mais lançamentos supostamente ainda mais violentos também estão na mira da Justiça.

"Os técnicos nos confirmaram o fato de que realmente o jogo, principalmente para crianças e adolescentes, traz uma série de problemas de deturpação psicológica para o jogador. Eventualmente, em alguns casos, pode levar até ao cometimento de crimes, assassinatos", comenta Fernando de Almeida Martins, procurador da República/MG.

Proibidos nas lojas, pirateados nas Lan Houses – em uma delas, que o Fantástico visitou em São Paulo, os jogos mais violentos estão livremente disponíveis.

"Eu acho até curioso, como a maioria das Lan Houses fica em comunidades carentes, criticar esses jogos violentos como causadores da violência, quando na verdade é o contrário", diz o advogado Antônio Cabral.

Para Antônio, que fez uma pesquisa sobre Lan Houses no Brasil, o problema está do lado de fora: "A violência existe muito anterior a essas Lan Houses e esses jogos despertam muito interesse, porque retratam a vida daquelas pessoas".

E, como acrescenta Silvio Meira, uma das maiores autoridades em engenharia para a criação de videogames no Brasil, a discussão é outra.

"O problema não é se o jogo é violento ou não. O problema é se você consegue separar que o jogo é um jogo e a vida a ser vivida aqui fora, neste mundo de carne e osso, é parte daquilo ou não", explica ele, que é também professor de Informática da Universidade Federal de Pernambuco

Nada como ouvir quem está por trás dos games - por isso, o Fantástico reuniu uma brigada de estudantes de design e desenvolvimento de jogos para saber por que a violência é uma questão tão importante quando se fala de videogames.

"Cada vez mais acontecem conflitos e eventos geralmente isolados dizendo respeito à violência e aos videogames, mas não necessariamente uma coisa está relacionada à outra", alerta Gabriel Monteiro, de 19 anos.

"Desde pequeno há essa educação de saber distinguir o real do irreal. Quando você é criança, você ouve histórias, assiste a filmes, desenhos, e do mesmo jeito o jogo", acredita Bruna Sponchado.

"O videogame foi criado para diversão, então a gente tem direito de interpretar qualquer personagem", defende Rodolfo Oliveira, de 22 anos.

Zeca Camargo: Quando vocês sabem que um videogame foi proibido, qual a reação?

"Proibir esses jogos seria tirar liberdade de expressão de muitas pessoas, principalmente adultos", observa Guilherme Giacomini.

"É um pouco de preconceito ainda: a geração que proíbe mesmo é o pessoal que não teve muito contato com videogame", acrescenta Felipe Zappia, de 20 anos.

Para o professor de informática Bruno Feijó, da PUC/Rio e da Uerj, a proibição não é apenas preconceituosa, mas ineficaz: "Porque ela não tem meios de controlar o acesso, o uso desse conteúdo digital nas suas várias formas, não só o game".

Se proibir não dá certo, qual seria a solução?

"A classificação indicativa dos games vem sendo bastante eficaz nos Estados Unidos, na Europa e em outros lugares. Não há nenhuma razão pela qual não possa ser no Brasil", lembra Silvio Meira.

"Primeiro a gente tem que implementar essa classificação para os jogos e através dela não proibir os jogos para os menores, mas orientar os pais para eles saberem o que estão deixando os filhos jogar", concorda o estudante Guilherme.

"Eu acho que deveria ser decisão dos pais os jogos que os filhos jogam e não uma decisão da Justiça", opina o analista de sistemas André de Leiradella.

André, pai do Lucas, de 4 anos, admite que os games violentos são atraentes, mas monitora as jogadas do filho.

"O jogo violento é tão prejudicial quanto um filme violento, quanto você viver em uma família violenta, mas eu acho que, assim como no filme, a família tem que estar junto, ali acompanhando o jogo, explicando o que é certo, errado", completa ele.

"O que a gente não pode é temer esse futuro, uma ferramenta tão fantástica como é o game. As várias maneiras de mau uso nós temos que enfrentar com toda a consciência e caminhar para esse futuro que é inevitável", defende o professor Bruno Feijó.

Fonte: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA1681844-4005,00.html


Leia também OS RISCOS DOS JOGOS ELETRÔNICOS NA IDADE INFANTIL E JUVENIL

Um comentário:

  1. Boa tarde Professor!
    Sou dono de Lan House e já pratiquei a utilização de games desse tipo em minha lan house, mas hoje continuo com a Lan House só que totalmente voltada para Internet, Pesquisa, profissionais trabalhadores e etc. Tudo isso sem utilizar esses tipos de jogos vistos em todas as lan house que os utilizam para ganho financeiro. O único jogo que estou utilizando no momento é, jogo Intuitivo ao aprendizado (Xadrez). Ao gual são poucos que vejo jogando.
    O motivo do contato é para ter informações sobre como proceder para dar continuidade com esses jogos e sobre a presença de estudantes em meu estabelecimento.

    Atenciosamente, Fábio Trannin
    e-mail para msn: fabiosigtec@msn.com

    ResponderExcluir

Deixe seu comentário! Não uso verificação de palavras.

Receba as postagens deste blog por email