segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O papel dos carboidratos na alimentação de corredores (e atletas em geral)

Quem acompanha este blog sabe que gosto muito das Dietas Low-Carb e Paleolítica.  Isto quer dizer que não consumo carboidratos? Claro que não! Mas consumo bem menos hoje em dia do que passei a consumir após começar a correr. Correr dá fome. Quando comecei a correr passei a consumir muito açúcar. Isto não é saudável. Agora procuro consumir no dia-a-dia apenas carboidratos saudáveis (e deixo o açúcar para momentos especiais - por exemplo, no meu chocolate 85%).

Phil Maffetone já escreveu bastante sobre o papel dos carboidratos no livro The Big Book of Endurance Training and Racing. 

Ele diz que:

 "Carboidratos durante provas ajudam o corpo a queimar gordura."

E ele acha que isto se aplica aos carboidratos de fácil digestão. No livro ele sugere:
  • suco (de uva ou de maçã) diluído em água de modo a ter de 6 a 8% de açúcar.
  • mel diluído em água também a 6-8% de açúcar.

Recentemente o Sock Doc escreveu dois posts sobre o assunto:

Resumindo, estes são os pontos mais importantes para mim:
  • Um indivíduo em forma verdadeiramente aeróbica deve ser capaz de sustentar pelo menos duas horas, ou até mesmo próximo de três horas, de exercício sem qualquer carboidrato.  "A true aerobically fit individual should be able to sustain at least two hours, or even close to three hours, of exercise without any carbohydrates."
  • Não há regra para dizer quantos gramas de carboidratos por dia você deve consumir. Quanto você vai consumir de carboidratos depende muito de quão intolerante a carboidratos você é. Quanto mais intolerante, menos carboidratos deve consumir. Depende também da intensidade dos seus treinos e provas. Quanto mais intenso, mais carboidratos.
    • Mas lembre que os dois acham que você não deve treinar sempre intenso. E, quando treinar intenso, deve estar atento aos sinais de overtraining.
  • Entrar em cetose não é necessário. E, se você treinar muito intensamente, pode ser prejudicial.
  • Quanto mais você utiliza o cérebro (isto é, se você tem uma ocupação que te exige bastante concentração), mais você precisa de carboidratos. Não que o cérebro não funcione sem carboidratos, mas segundo o Sock Doc ele sente necessidade de mais carboidratos em dias em que pensa mais.
  • Se você não é diabético, dificilmente entrará num estado de cetoacidose só porque está consumindo menos carboidratos.
  • Não é necessário ter medo de carboidratos. Mas, talvez no início de uma dieta lowcarb seja necessário reduzir bastante os carboidratos para depois ir reacrescentando.
  • Depois de provas e treinos intensos é um bom momento para consumir carboidratos.
  • Fazer carbo-load (por exemplo, Jantar de Massas antes de uma Maratona) não é necessário e pode até ser prejudicial (por exemplo, causando problemas gastrointestinais durante a prova).

É sempre importante lembrar que quando o Sock Doc menciona carboidratos, ele sempre dá preferência àqueles mais naturais e saudáveis: os advindos de frutas, raízes (batata doce, por exemplo) e mel,  principalmente. Claro, numa prova longa (21K ou mais) eventualmente pode ser usado um gel comercial. Mas nunca em treinos (exceto se for para testar se o gel não te faz mal).

O Sock Doc tem organizado Workshops para atletas amadores lá nos EUA. Parece bem interessante.

Workshop do Sock Doc


Esta é a opinião do Sock Doc. Não é baseada apenas em ciência pois parece que não existe ainda ciência de qualidade para cobrir todos estes temas.

O que acham?

domingo, 11 de agosto de 2013

Circuito Sesc de Caminhada e Corrida de Rua - 14ª Etapa - Curitiba - PR - 2013

Aconteceu hoje a prova do Circuito Sesc de Caminhada e Corrida de Rua. Uma prova barata e bem organizada. Por 20 reais (ou 10 para quem pegou a promoção), além dos itens essenciais de uma prova de rua (número de peito, chip, hidratação) você recebia frutas na chegada, uma camiseta e uma sacola (bem frágil).



 Como único ponto negativo o fato de o percurso provavelmente não ter sido aferido. Mas é porque a prova foi dentro de um quartel e em alguns trechos de "rejeito de asfalto" (termo técnico usado pela organização para designar asfalto velho e bem ruim) não acho que dava pra aferir mesmo.




A minha corrida foi legal. Foram 10K em terreno bem ruim entre o km 1 e o km 4 (asfalto velho com pedras). No resto da prova, asfalto razoável. Fechei em aproximadamente 50:50 (tempo do meu relógio) sendo 27:22 nos primeiros 5K e 23:28 nos últimos 5K. Um split bem negativo. Como tinha feito um treino de 2h24 no dia anterior, foi um resultado ótimo. Um ótimo treino para a minha próxima Maratona.

Fiz a prova em jejum e usando sandálias huarache da Xero Shoes. Usar as sandálias durante o trecho de rejeito de asfalto foi um desafio à técnica. Bastante divertido. Um erro e eu poderia ter me machucado pois a huarache tem solado de 4mm, apenas protegendo a pele das pedras mas não o pé das pontadas das pedras. Eu tenho uma huarache de 10mm mas desta vez quis ir com a de 4mm mesmo para me forçar a ir mais lento no começo.


Depois da prova, reposição de carboidratos naturais (suco de uva diluído em água) e de proteína (leite, whey e albumina). Nada tão saudável assim, mas segundo Maffetone e Sock Doc, necessário depois de treinos/provas fortes.



Antes da prova encontrei o Edson Cesário do Amigos da Corrida de Curitiba (ACC) e conversamos até a hora da largada. Quando a corrida começou, ele estava mais rápido e foi embora. Encontrei também a Annie Oil e a Jô Bertoja, também do ACC. Durante a prova, encontrei o casal Marcos e Catia Nakamura , a Gi Souza (os três da HP Sports que também participam do ACC). Ah, vi também o professor Jazomar da UTFPR. Algumas mães do Positivo Run estiveram lá, mas não as encontrei.

Qual será a próxima prova? Não sei.

Resultado oficial está em http://www.cronoserv.com.br/resultados-det.asp?calendario_chv=1095. Meu tempo oficial foi 50:50 mesmo. Fiquei em 213⁰ no masculino (entre 427). Portanto, segundo quartil. Na categoria M40-44, fiquei na posição 45 entre 82 (terceiro quartil).

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Entrevista com Neimar Oliveira da Silva, medidor de percursos

Depois de ter lido esta matéria (Provas sem Percurso Aferido no Brasil) na Revista Contra-Relógio (leia também este post do André Savazoni), fiquei interessado no assunto aferição de provas. Tanto é que minha definição de recorde pessoal só vale para provas aferidas.

A maioria dos percursos medidos (aferidos) oficialmente aqui no Paraná, como se pode ver na página da Federação de Atletismo do Paraná, é aferida por Neimar Oliveira da Silva. Abaixo uma entrevista com ele.

Neimar em ação medindo o percurso da Meia Maratona de Curitiba.

Foto de Neimar Oliveira da Silva por Elton Damasio (blog Fôlego - Gazeta do Povo).

Entrevista


1) Qual o seu histórico na corrida? Quando começou a correr, de que provas participou?


Comecei a correr em 1983. Participei de centenas de corridas de rua, das mais variadas distâncias e em muitos lugares no País e no exterior. Tenho no currículo 63 (sessenta e três) Maratonas completadas, em Blumenau (na época boa), Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, BH, São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Berlim, Paris, Boston, Nova Iorque (oito vezes). Meu melhor tempo em Maratona é 2h40m12s, no Rio de Janeiro e aos 45 anos de idade.

2) Há quanto tempo o senhor é medidor de percursos? Qual sua formação (isto é, que cursos teve que fazer para ser medidor de percursos)?

Sou Medidor/Aferidor de percursos de corridas de rua há dez anos. Faço parte do  Painel de Medidores da IAAF e da CBAT,  tendo participado de vários cursos  destas entidades,  sendo credenciado por ambas e atuo no Brasil e no exterior.

3) Quando o percurso é divulgado na página da Federação Paranaense de Atletismo http://www.atletismofap.org.br/Corrida.html  como tendo sido "medido oficialmente", isto garante que a prova tem a distância exata que os organizadores anunciam? Pergunto isto porque já participei de provas que diziam ter 10K mas, ao chegar na prova, fiquei sabendo que tinha um pouco mais do que 10K, fato reconhecido pelos próprios organizadores.


Os percursos de provas participativas, embora p.ex. o nome da prova seja 10K, às vezes, por questões de adequação por parte do organizador – ex. largada/chegada fixas no mesmo lugar e sem opção de arranjos, pode ter uma medida superior, e como você mesmo constatou, tem que ser anunciado aos corredores pelo organizador, antes da largada, a distância efetivamente medida. Porém os quilômetros intermediários são devidamente demarcados no pavimento para a colocação das placas indicativas e controle dos próprios participantes. 

4) Muitos corredores sequer conhecem o trabalho do medidor de percursos. Você acha que a profissão deveria ser mais reconhecida?

Não chega a ser uma profissão.


Mais sobre Neimar Oliveira da Silva


Leia matéria Correr é Preciso que o Blog Fôlego da Gazeta do Povo fez com Neimar explicando bem o processo de aferição.

Aqui você pode ver fotos do Sr. Neimar aferindo o percurso da Meia Maratona de Curitiba 2013.


Links que podem ser úteis



Percursos medidos pela CBAt: http://www.cbat.org.br/corrida/medicao/percursos_medidos.asp

Percursos medidos pela FAP: http://www.atletismofap.org.br/Corrida.html



Calendário de Provas Nacionais CBAt: http://www.cbat.org.br/corrida/calendario/calendario_ano.asp?ano=2011&s=RA

Saiba como é feita a aferição de um percurso

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Barriga de Trigo, de William Davis

O Dr. José Carlos Souto já comentou em seu blog, mas não custa nada repetir aqui. O livro Wheat Belly, de William Davis (que pode ser comprado em inglês na sua versão digital na Amazon.com.br), grande sucesso nos EUA, foi traduzido para o português.

A tradução se chama Barriga de Trigo:



Hoje folheei um exemplar fĩsico do livro nas Livrarias Curitiba. É um livro fantástico. Aborda desde a origem do trigo que consumimos hoje, passando pelos inúmeros problemas que causa (mesmo a quem não é intolerante a glúten como eu) e finalizando com uma sugestão de como se alimentar (uma dieta estilo paleo/lowcarb).



Quem acompanha este blog sabe que desde setembro do ano passado sou paleo/lowcarb. E o que significa ser paleo/lowcarb? É tentar ao máximo comer comida de verdade. Para mim tem dado certo.

E porque isto é importante para corredores? Porque muitos corredores acham que precisam comer muito carboidrato. E quando se fala em carboidrato, muitos corredores pensam em derivados de trigo (pães e massas). Tanto é assim que algumas provas até organizam o retrógrado e prejudicial (rs) Jantar de Massas.

Qual é o resultado deste abuso de carboidratos, segundo a teoria paleo/lowcarb? Muitos corredores acima do peso, apesar de se exercitarem bastante. O livro explica como isso acontece.

A propósito, uma grande revista de circulação nacional está preparando uma matéria sobre o livro. Deve ser publicada nas próximas semanas. 

Portanto, fica a sugestão de leitura. Se você gostou da sugestão, comente abaixo. Você toparia ficar sem seu pãozinho e seu macarrão?




sexta-feira, 19 de julho de 2013

Fila Night Race 2013: foi recorde pessoal???

Participei, neste sábado 13/07/2013, da Fila Night Race Curitiba. Ganhei a inscrição (melhor ainda, inscrição VIP) para a prova numa promoção da Fila no Facebook. Levem isso em consideração ao ler meu comentário sobre a organização da prova, no final deste post.


Eu, Divino Julian e dois de seus amigos.



Eu tinha treinado duas semanas especificamente para esta prova. Eu treinei o ano inteiro, claro, mas com foco em 10K e 21K. Só nas duas semanas antes da prova eu foquei nos 5K, fazendo um pouco mais de treinos de tiro. Não sei se está relacionado aos treinos de tiro (acredito que esteja) mas na sexta-feira antes da prova comecei a ficar gripado. Resultado: fui para a prova sem estar com 100% das minhas condições. Mas eu não estava tão mal ainda (entre 70 e 85%, imagino). A gripe só foi se manifestar com toda a força depois da prova. Só agora, quinta-feira, posso me considerar uns 95% recuperado.

Corri sem GPS e sem olhar para o cronômetro. Fui só na sensação de esforço. Na verdade, nem encontrei as placas de quilometragem exceto a do km 3. Eu só queria ir o mais rápido possível e terminar. Sofri muito no começo mas depois do km 3 ficou mais fácil. Na hora eu achei que era por meu corpo estar mais aquecido no final. Na verdade, o começo é uma leve subida e o final é uma leve descida (leia este relato de uma prova no mesmo percurso).

Percurso dos 5K da Fila Night Race, do Circuito Adidas e da Night Run em Curitiba.

Quando cheguei e meu cronômetro apontou 22:04, fiquei muito satisfeito. Sim, sei que isto é mais do que a metade do meu recorde pessoal nos 10K (43:33), mas considerando a gripe e o fato de eu não gostar de correr à noite, foi ótimo. O tempo oficial foi 22:00.6 (arredondado para 22:01) no site. Fiquei em 3o. lugar na Categoria M-40-44 e 27o. no geral. Veja os resultados aqui.


Mensagem recebida pel celular.

Cronômetro e medalha.

Foto tirada logo após a prova.


Claro, por ser uma prova cara, em julho (mês de férias), à noite e sem prêmios em dinheiro ou mesmo troféus para a faixa etária, muitos bons corredores não foram.

Será que foi recorde pessoal nos 5K?

Até agora estou com esta dúvida. Será que meu desempenho nesta prova valeu como recorde pessoal calçado nos 5K? Por que tenho esta dúvida? Porque não sei se o percurso dos 5K foi corretamente aferido (apesar de constar como aferido no site da Federação de Atletismo do Paraná). E 5K é uma distância muito curta. Quaisquer 200m podem ser a diferença entre obter ou não recorde pessoal. Se o percurso não foi aferido, pra mim não é recorde pessoal.

Outro fator é que quando uma prova de 5K ocorre simutaneamente com uma prova de 10K, a prova de 10K pode até ser aferida mas a de 5K não necessariamente é.

Eu já havia feito 21:57 numa prova de 5K  em 30/10/2011, mas esta prova deu 4,68Km no meu GPS e tenho quase certeza que ela não foi aferida. Além do mais, na época eu estava na faixa 35-40. Agora estou na faixa 40-45. Os recordes mundiais para masters são diferentes a cada 5 anos, portanto meus recordes pessoais também são por faixa etária.

Outro fator importante na minha definição de recorde pessoal é o que está no pé. Para cada distância e faixa etária, tenho meu recorde pessoal descalço e o recorde pessoal calçado. Uma prova de 5K acho que fica mais fácil descalço.  Mas a largada e a chegada desta prova é dentro do Jóquei Clube de Curitiba, num terreno bem ruim. Além disso, estou sem treinar descalço regularmente faz pelo menos um mês e meio (por conta de frio e de uma pequena lesão que veio de usar calçados apertados).  Um complicador adicional para correr descalço é o fato de ser uma prova noturna. Portanto, corri de Newton MV2.

O Newton MV2 é ótimo, mas exige mais força das pernas do que correr sem nada no pé. Sem contar que os defensores de corrida descalça acreditam que qualquer calçado exige um esforço extra para manter a forma correta de correr.

Amigos

Esta prova é uma daquelas provas lotadas de Curitiba. Acho que só perde para as do Circuito Adidas. Mas devido ao frio, foi bem menos lotada do que de costume. Encontrei vários amigos e conhecidos antes da prova: Gi Souza, Ademir Manfroi, Annie, Divino Julian, Hilma, Ben-Hur, Anderson Ribeiro e sua esposa Paula, Mauricio (treinado pela grande Roseli Machado). Conversei bastante com o Ben-Hur, que já conhecia de outras provas e treinos no Parque Barigui, e com o Julian (que também estava no Espaço VIP). E, claro, também estavam lá a Marcia e a Rosana do Positivo Run.

Como estava todo suado depois da prova, para não piorar da gripe, assim que terminei  fui embora.  Não encontrei vários outros amigos que sabia que estariam lá.

Sobre a Organização da Prova


Achei esta prova ótima no quesito organização. O principal problema dela é ser cara. Custa 95 reais a inscrição! Mas o kit é bem recheado:





Teve show com o grupo Patubatê (infelizmente aproveitei bem pouco pois saí logo após correr), tenda de massagem, tenda com brindes da Gomes da Costa, teda de fotos, tenda para venda de produtos da Fila (e acho que tinha também teste da pisada, mas sabemos que este teste não significa nada, não é?), água em garrafa durante a prova (alguns gostam, outros não), isotônico em copo após a prova.

O percurso foi aferido pela Federação Paranaense de Atletismo, como pode ser visto em http://www.atletismofap.org.br/Corrida.html.


Além disso tudo, havia um espaço VIP, no qual pude entrar em virtude de ter ganho no sorteio. Lá havia frutas, café e lanches.

Leia também o relato com fotos do Julian Runner,  e o relato da Hilma no Corridas do Luizz.